Depois de inúmeras reflexões, nutridas por quase uma vida inteira (eu tenho vinte e um anos), deparei-me com uma percepção: eu sempre me senti alheia deste mundo.
Pois eu sempre me senti alheia desse mundo, como se fossem dois, um em que as coisas aconteciam e as pessoas interagiam, e outro, onde eu estava. Eu sempre, ou desde que eu me lembre, assumi mais a postura de observadora do mundo social do que de participante dele. Desde que eu me lembre, talvez desde os meus dez anos de idade, eu me vi bastante introspectiva, como se eu vivesse mais nos meus pensamentos, planejando cenários que eu gostaria de viver, do que o próprio desenrolar da vida real. Foi nesse momento, inclusive, que eu comecei a nutrir minha preocupação extrema com a percepção alheia, o que me levou a ser cada vez mais cautelosa, hipervigilante, e ansiosa. Ansiosa porque eu não estava satisfeita com a vida que eu tinha, com as pessoas com quem eu interagia - e não interagia, com a forma como eu interagia com as pessoas, e ansiava pelo instante em que essa satisfação me preenchesse.
Eu lembro até hoje de quando eu tinha mais ou menos uns dezesseis anos e desejava, com a ansiedade pulsando dentro de mim, que o tempo passasse tão rápido que, num piscar de olhos, eu já estivesse adulta, determinada, profissionalmente e pessoalmente bem estabelecida e estabilizada. Pois o futuro, aos meus olhos, parecia mais confortável do que o meu ensino fundamental, momento em que eu vivenciava a angústia da puberdade e das minhas paixonites platônicas por meninos que eu não conseguia nem encarar nos olhos. Faz muito sentido, também, que tenha sido nesse período que a minha comparação com as outras pessoas também começou a ser cultivada, comparando-me com as meninas que eu julgava serem minhas concorrentes em relação ao menino por quem eu era atraída, ou com aquelas que eu julgava serem tão bonitas, e eu, tão feia. Ou, inclusive, com aquelas meninas que eram extrovertidas, engraçadas, que atraía a companhia dos outros. Um outro fato interessante: minha comparação sempre foi, desde aquele momento, com meninas, mulheres, o que demonstra o impacto pessoal da competitividade feminina incentivada na nossa cultura.
Pois bem, retomando a temática central: nunca senti que eu estava de fato vivendo a minha realidade. Isso porque eu sempre passei muito tempo da minha vida ou ruminando as minhas ações e a dos outros, ou planejando ações futuras, e criando expectativas sobre a dos outros. Minha cabeça sempre foi um espaço com um fluxo intenso de pensamentos, que correm tão rápidos. Afinal, a minha vida era toda planejada ali, na minha cabecinha, compensando os poucos riscos que eu assumia na minha vida concreta, com tanto receio de, depois, ser alvo da temida ruminação (mesmo que, na verdade, independente das minhas ações ela sempre viesse, assumindo o comando dos meus pensamentos).
A terapia, de fato, me ajudou bastante. Ajudou-me a tomar coragem para agir mais, em vez de ficar planejando ações. Mudar de lugar na sala de aula, no segundo colegial, foi uma demonstração emblemática dessa ajuda, pois eu tinha receio de que, fazendo esse movimento, saindo da primeira carteira e indo me sentar mais para trás, junto as meninas de quem eu me sentia confortável, fosse ser desconfortável e chamar atenção. Fosse talvez incomodar alguém? De fato, chamou atenção, mas não me importei.
Sempre me vi sonhando que as relações vivenciadas pelos personagens nos filmes que eu assistia acontecessem na minha realidade. O melhor amigo que se apaixona pela amiga e começam um relacionamento, o badboy que se atrai pela mocinha nerd, as amizades-irmandades que pareciam superar todas as barreiras. E, apesar de ser uma fantasia extremamente romantizada, idealizada e totalmente afastada da realidade, eu a via, de alguma forma, nas relações entre as pessoas reais dos ambientes em que eu vivenciei. Pessoas começando a se relacionar, paqueras, namoros, intrigas, amizades descontraídas, íntimas, nos quais as pessoas realmente pareciam estar confortáveis. E, diante dessa perspectiva, eu estava ali, me sentindo uma alienígena, como se eu não tivesse nada disso. Minha autoestima em relação aos meus aspectos físicos era muito baixa e eu não me via satisfeita nas relações que eu tinha com as outras pessoas, sempre elevando patamares absurdos de performances desejadas e me decepcionando, com os outros mas, principalmente, comigo.
Eu escrevo tudo isso sabendo que eu ainda me sinto, em muitos momentos, dessa forma, me sentindo uma mera observadora nesse mundo. Aprendi a viver dessa forma, hoje é meu piloto automático, e, pois, é muito difícil eu me esquivar disso, apesar de, sim, eu conseguir. Tenho patamares de excelência para quase todos os meus relacionamentos e, por não serem alcançados, visto a idealização que eu nutro desde mais nova, me vejo muitas vezes estressada, frustrada. É um desafio, portanto, me desvincular desse papel passivo para tornar, realmente, protagonista da minha história, incluída no mundo social a qual pertenço. Abaixar as expectativas, viver mais do que pensar, ser menos exigente comigo, ser menos exigente com os outros, perdoar quando os outros não te entendem, perdoar quando você não entende o outro, dialogar e tentar entender o outro e se fazer entender. A imprevisibilidade faz parte do mundo, da vida, e não tem como se prender ao mundo racional buscando planejar todos os seus comportamentos, de forma que supram as suas expectativas, românticas, derivada dos filmes que você tanto assistiu e assiste.
Viver requer mais leveza, menos rigidez, esta que estou tão acostumada. É um desafio, então, eu tentar me arriscar a viver dessa outra forma, e torná-la meu piloto automático. Sentir-me incluída no mundo, participante ativa das minhas vivências, e personagem importante nas vivências de algumas pessoas. Apesar dessa resistência resultado do meu passado, dessa inércia, nunca estive tão feliz em estar vivendo. Estar vivendo, participando, errando, me perdoando, perdoando os outros, vivendo. Sendo eu mesma, autêntica, particular, e vivendo. Sendo presente, participante, e não mais meramente a platéia.
Eu sempre me senti alheia desse mundo, e hoje luto, dia após dia, para deixar de me sentir assim.
24/05/2020
Eu sempre me senti alheia deste mundo
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15/12/2018
Um desafio para mim mesma
Eu
acho engraçado como a gente consegue mudar tanto em um ano. Em meio ano. Faz
muito tempo que eu não sento e paro para escrever um texto, sendo que isto era
algo tão recorrente na minha vida, algo que eu valorizava tanto. Algo do qual
eu realmente tinha orgulho.
Ok. Tem
um ponto. Eu geralmente escrevo quando eu sinto que eu estou tão angustiada que
eu não consigo lidar com os meus pensamentos sozinha, e eu então escrevo, buscando
compartilhar o que eu sinto com alguém, mesmo que seja com a Mayara do futuro
(que lerá esse escrito umas dez vezes depois de tê-lo terminado de escrever). E
o que aconteceu foi que existiram poucos momentos nesse semestre, especificamente,
que eu me senti angustiada dessa mesma maneira, coisa que era muito recorrente
anteriormente. Aconteceram coisas comigo, coisas na minha vida, que me
preencheram de uma sensação de conforto e satisfação que eu nunca havia
sentido, pelo menos não por tanto tempo, na minha vida inteira. E isso é ótimo!
Realmente, isso é maravilhoso!
Mas
tem um outro ponto, que eu só percebi hoje, nesse momento, depois de ter
assistido esse vídeo incrível do João Bertoni. Foi somente depois de eu ter
ouvido as palavras dele, exatamente após eu ter sentindo uma sequência de
sensações que eu não deveria estar sentindo (inveja – tristeza – vazio – culpa),
que eu tive uma percepção sobre mim: eu me afastei muito de mim mesma nesses
últimos tempos.
Parar
o que eu estava fazendo, sentar e escrever era um dos maiores momentos em que
eu estava comigo mesma, buscando me aproximar de mim mesma. E eu parei de fazer
isso, gradativamente, até que eu parasse totalmente e nem sequer percebesse.
Essa valorização dos momentos eu-e-eu era, sem dúvidas, uma das minhas maiores
conquistas do ano passado, e em pouco menos de um semestre eu me afastei tanto
de mim...
Não
digo que tenha sido totalmente culpa minha, na verdade eu tenha a consciência de
que não foi. O contexto em que eu vivi esse ano acabaram por ter uma grande
influência nessa mudança: o fato de eu dividir quarto, estar compartilhando uma
casa com mais três meninas, o acúmulo de trabalhos em grupo cobrados pela
faculdade, estar vivendo meu primeiro relacionamento amoroso. E eu enfatizo,
nada disso é ruim, pelo contrário, foram e estão sendo experiências tão
maravilhosas! Mas eu não posso negar que de fato eu me afastei muito de mim mesma
nesse semestre, e eu quero resgatar essa relação comigo mesma que eu sentia que
antes eu estava construindo.
Eu lembro
que uma das minhas metas de 2018 era justamente relacionada a esse tipo de valorização
de mim mesma: ir ao cinema sozinha. E hoje eu percebo que eu tive várias
oportunidades para poder cumpri-la, mas que sempre optei pela companhia dos outros
a ir sozinha. Pois bem, retomo essa meta então para 2019. Ir ao cinema sozinha,
sem pressa, querendo aproveitar todo aquele momento sozinha, buscando não me
sentir solitária, com vergonha de estar sozinha, e tentar sentir-me feliz,
completa, em paz, com a minha presença. Somente com a minha presença.
Pois bem, cá está o desafio: buscar a reconexão comigo mesma.
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27/05/2018
Conclusão
É isto.
É bizarro pensar em tudo o que eu fiz, e que eu finalmente eu fiz tudo. Tudo.
É estranho, sei lá, e por mais que doa, eu fiz tudo.
Por mais que as coisas não tenham saído como o planejado, eu estou satisfeita
(por mais que nesse exato momento eu não sinta isso).
É, sim, eu queria uma resposta. Nem que fosse um fora, uma negativa, ou alguma pequena consideração por eu ter aberto o meu coração.
Mas, é, infelizmente ela não veio. E possivelmente não virá.
Agora basta eu lidar com essa "resposta" e seguir em frente. Seguir em frente.
Por que isso parece tão difícil? Por que eu demoro tanto para me desencanar das pessoas?
Eu me apego a momentos, a situações, a sentimentos, a confusões. Se machuca tanto, por que eu não consigo simplesmente me desapegar dessas coisas?
Por que eu sinto que eu não quero me desapegar dessas coisas?
Eu sei que uma hora vai passar, sabe? Porque as coisas sempre passam.
Mas eu só queria que isso acontece agora, nesse instante. Nesse exato momento.
Sou ansiosa, quero pular processos, quero estar sempre bem
(e eu sei que isso não é possível, não é saudável).
Hoje eu escutei uma coisa que me fez total sentido:
"Uma pessoa pode ser legal, mas ela pode não ser legal para você."
A culpa não é sua, sabe?
Definitivamente, a culpa não é sua.
As vezes as coisas não acontecem como a gente quer que aconteçam.
E está tudo bem também.
Está tudo bem!
A culpa não é dela, a culpa não é sua.
A culpa não é de ninguém!
Só não aconteceu porque não era para acontecer.
E é isto. Somente isto.
Exclusivamente isto.
É isso.
06/05/2018
Quando você se apega a uma memória
Eu senti uma coisa dentro de mim que eu pensei que eu demoraria para sentir: uma pontada de satisfação. Satisfação? De estar vivendo tudo isso. Eu já olhei para aquela foto em que nós dois aparecíamos juntos mais de cem vezes e só agora é que eu sinto que consegui enxergá-la diferente: algo mudou dentro de mim. Eu olho para aquela foto e finalmente consigo sentir uma fraçãozinha de paz, substituindo a angustia e a vontade de rir sarcasticamente por toda aquela situação vivenciada, que subiam sobre a minha garganta todas as outras vezes que eu havia a olhado.
Ela é uma pessoa muito bonita, muito atraente, e o momento foi engraçado, eu estava nervosa, não conseguia parar de sorrir, não conseguia manter meus olhos sobre ele por estar extremante envergonhada, desviava-o muitas vezes para as outras pessoas, para o chão, para o céu. Eu estava totalmente constrangida por estar vivendo toda aquela situação porque eu nunca havia imaginado que aquilo realmente pudesse acontecer. Aquilo estava acontecendo mesmo de verdade? Porque parecia tanto com o sonho que eu havia tanto tido por tanto tempo (não só com ele, mas com outras pessoas que haviam "aparecido" na minha vida). E a risada dele era tão maravilhosa, carregava uma paz tão gostosa. E a satisfação que inflava a minha alma quando eu percebia que ele ria com as coisas que eu falava era imensurável. Ele realmente queria me beijar, saca isso? Eu não tinha sacado até o momento h.
E foi muito bizarro. Senti algo que eu nunca havia sentido antes: eu queria aproveitar aquele momento com todas as forças. Eu estava muito atraída por aquele cara, e tanto que eu não consegui conter a minha alegria e o abracei. Foi um dos momentos mais gostosos que eu já passei, e só de lembrá-lo eu sinto um frio na barriga. Eu estava muito atraída por aquela pessoa.
E eu criei expectativas, mesmo não querendo. Eu não consegui me controlar, e eu sinceramente acho que não seria possível controlar esses pensamentos que me invadiram logo que tudo passou. Eu estava no ônibus e revivi aquele momento no mínimo umas cinco vezes seguidas, e eu não conseguia tirar o sorriso do meu rosto. Tudo ainda parecia um sonho. E eu havia sido a protagonista de tudo aquilo.
Confesso que as expectativas, pouco a pouco, foram me consumindo, até que eu não conseguisse mais não pensar nele. E a ansiedade se instaurou dentro de mim. Eu não conseguia parar de falar dele, não conseguia parar de pensar nele, não conseguia conter a minha vontade de me esbarrar com ele e poder cumprimentá-lo, poder conversar mais com ele, conhecer ele. Mas ai está o problema, a sementinha de toda a enrascada na qual eu estava me enfiando, sozinha: eu estava tentando estender aquele momento vivido tão intensamente por mim para outros, buscando justamente poder sentir novamente toda aquela energia que eu havia sentido antes.
E eu corri atrás dele, como nunca corri atrás de ninguém: cumprimentei ele quando talvez ele fosse passar reto por mim, tentei usar as redes sociais para mostrar que eu realmente tinha interesse em conhecer mais ele, em conversar com ele, mas ele não fez nada. E, por fim, me arrisquei ainda mais e abri o meu coração para uma das pessoas que julgo ser uma das mais próximas dele, e eu fiquei ansiosa pela resposta dele. E hoje, contudo, eu vejo que ele já tinha me dado a resposta que eu tanto precisava.
Só agora eu estou realmente sentindo essa resposta, que julguei por muito tempo não existir porque eu não queria mesmo acreditar nela: ele não tinha interesse em estender aquele momento vivido por nós dois. E, se for pensar, a intensidade daquilo provavelmente foi diferente para nós dois. Eu coloquei expectativas demais, e eu não me sinto culpada por isso.
Eu não sou culpada por isso: é totalmente normal fazer isso. Ele é uma pessoa com uma energia tão boa, eu estranharia se eu não me atraísse por ele. E eu entendo, agora, o porquê de eu ter querido tanto que todas essas expectativas se concretizassem: tudo parecia tão possível.
Hoje eu olho para essa foto e vejo que eu exagerei, e ai que está: isso não é um problema. Certo, isso realmente me causou um problema, mas eu justificaria isso pelo seguinte fato: eu nunca havia vivido tudo isso, então possivelmente eu não saberia como encarar essa situação, e isso é sempre o que mais incomoda: quando eu me vejo impotente diante da realidade. Eu exagerei sim, mas porque eu vivi aquilo de uma forma tão intensa que eu queria estender aquele momento. Eu sinto demais, e isso nunca vai ser um problema, ou pelo menos nunca deve ser.
O sorriso dele é tão lindo. Ele é uma pessoa tão linda, por fora e provavelmente por dentro também. E eu espero mesmo poder conhecer ele mais um pouquinho, porque ele parece realmente ser uma pessoa com uma energia tão boa. Mas eu não preciso disso, de me sentir como uma perdedora. De me sentir inferior a ele: eu não sou. Ele não tem culpa, e muito menos eu tenho culpa.
Hoje você possivelmente só tem olhos para ele, mas ele não é a única pessoa que você vai achar atraente nesse mundo, mulher, então pare de te se sentir tão machucada com o "não" dele. E ele claramente não é a única pessoa que vai querer te beijar. E com certeza você passará por outros momentos como esse, então se acalme. Deixa de querer ser radical, você consegue lidar com toda essa situação: você está conseguindo lidar. Talvez você não acredite em mim, mas você está conseguindo lidar com tudo isso! Dê mais créditos a você e pare de se sentir como uma pessoa azarada, porque você não é.
E da próxima vez que eu olhar para ele, espero que eu consiga não me sentir mais tão mal. Eu espero que eu consiga olhar para ele e vê-lo como uma pessoa normal, como ele realmente é. Nem mais, nem menos: normal. E eu não preciso tentar me fazer esquecer daquele momento: jamais. Eu só preciso entender, compreender com o meu coração, que aquilo aconteceu sim, mas ficou somente ali: limitado dentro de uma caixinha que eu quero manter sempre na minha memória, porque foi um momento tão bom!
E ao olhar essa foto, e ver como ele sorri e me lembrar de tudo o que aconteceu, eu sinto que estou finalmente conseguindo enxergar tudo isso com um outro olhar. Afinal, ainda bem que eu vivi tudo isso, todas essas emoções! Ainda bem...
29/04/2018
Ambições sufocantes e imediatismo
Desligo o meu celular. Olho a tela do meu notebook e me deparo com o seguinte questionamento: o que eu quero que a faculdade me traga? Pois bem, eu quero ser uma pessoa mais confiante. Eu quero conseguir falar bem em público, quero poder fazer seminários, ou mesmo explicar meu posicionamento para a classe, sem me sentir impotente. Quero ser confiante o suficiente para que eu não me sinta mais tão pequena diante das pessoas: sem graça, feia, boba, infantil, chata. Quero me apaixonar por alguém, mas também quero sentir reciprocidade nisso. Aliás, quero me apaixonar por mim também, e ser menos crítica diante dos meus pensamentos e comportamentos. Quero fazer amizades que eu sinta que são para a vida, e quero me sentir acolhida por um grupo de pessoas como eu nunca me senti na minha vida. Quero poder ir em festas sem me importar muito com quem eu vou, só por saber que eu sou completamente segura a ponto de conseguir me divertir comigo mesma, sem precisar de beber para poder diminuir esse imperativo, esse senso de autopreservação, que tanto me tensiona. Quero me sentir pertencente a um ambiente. Quero ser capaz de acolher as outras pessoas, quero aprender a me acolher. Quero olhar no espelho e me orgulhar de tudo o que eu sou, inclusive com os meus defeitinhos. Quero sentir menos rancor das pessoas e aprender a perdoá-las, mas primeiro quero aprender a me perdoar. Quero ser reconhecida pelas minhas habilidades. Quero saber explicar conteúdos, situações e acontecimentos, assim como meus posicionamentos pessoais, para as pessoas. Quero ser uma ativista feminista, quero me engajar mais na política, quero fazer a diferença. Quero me importar menos com o fato de as vezes ser ignorada, de algumas vezes as pessoas não me cumprimentarem, porque eu saberei que não foi de propósito: ou se for, quero ser confiante o suficiente para saber que a culpa não é minha. Quero saber respeitar as minhas limitações, e saber com o coração que eu posso pedir ajuda quando eu precisar, e não só quando eu estiver prestes a explodir. Quero estar em um relacionamento sério, poder sentir gestos apaixonados. Quero não me sentir tão burra quando eu não entendo uma matéria, nem tão ingrata quando reclamo de algumas coisas que me aborrecem no momento. Quero saber entender que a toxidade das pessoas não é culpa minha, e que eu não sou obrigada a aturar pessoas que me fazem me sentir menor. Quero poder me sentir mais confortável no meio social. Quero estar feliz onde eu estou. E eu quero tudo isso imediatamente, o que é um erro.
As coisas não vão ser entregues de mão beijada para você, menina, e você precisa entender isso. Você precisa correr atrás, assim como você está correndo exatamente nesse momento, totalmente jogada nesse novo mundão completamente aversivo a sua zona de conforto. Mas você precisa entender também que coisas assim demandam experiência: demandam tempo. Então, calma!
Calma, respira fundo, tenta aproveitar mais toda essa caminhada, por mais dolorosa que ela possa ser. Calma, não saia se atropelando toda assim, porque no fim você vai conseguir tudo isso que você deseja, sério mesmo. Mas você precisa de calma. Respira fundo, feche os olhos, cumpra com as suas responsabilidades e fique satisfeita com o seu desempenho presente. Porque você precisa ser mais humilde consigo mesma, moça.
Assim como demoramos para aprender a andar com nossos próprios pezinhos no mundo, nosso crescimento interno também é demorado. Extenso e lento. Então calma, não se estresse. Vai dar tudo certo.
Aproveite a caminhada. Olhe para o seu redor e repare nas pequenas coisas que, na pressa, você esquece de reparar. Olhe para as pessoas e queira estar com aquelas pessoas, leia textos querendo lê-los (por mais que alguns, cof cof Cofer, sejam difíceis de engolir). Esteja presente nos momentos, absorva o máximo deles e esteja satisfeita com o seu desempenho neles. Permita-se aproveitar mais esses momentos, mulher, e não fique presa no futuro. Porque, assim como já explícito, essas coisas vão acontecer, então calma. Para que pular etapas? Pense no depois, mas pense especialmente no agora. Assim você aproveita mais toda essa oportunidade sensacional que você está podendo vivenciar.
Até porque se já viéssemos ao mundo com todas as nossas ambições pessoais concretizadas, para que então estaríamos vivendo? Qual seria a graça de estarmos aqui sem possuirmos a capacidade de mudar, de crescer?
Pois é. Então respira. Agradeça pelos momentos, por mais difíceis que eles sejam, só por saber que eles vão ser essenciais para o seu crescimento pessoal. E aproveite essa caminhada que, acredite em mim, pode ser maravilhosa. Vai ser maravilhosa.
Início de abril, pós churras da psico
24/01/2018
Sobre o meu orgulho por você
Eu acho que estou com medo. Esperar ele me responder. Por que para mim isso me parece mais uma tortura? Estar nesse dilema entre querer que ele me responda imediatamente ou querer que ele tenha caído no sono e que só visualize no dia seguinte. Pois bem, pode ter certeza de que ele visualizou na mesma noite, enquanto você estava se remoendo de ansiedade, resumindo isso tudo.
Somente saiba que, independentemente da resposta dele, você é uma mulherão da porra. Sim, você é isso mesmo, com todas essas palavras. M-U-L-H-E-R-Ã-O D-A P-O-R-R-A. Porque você tomou atitude. E isso, minha cara, é uma baita de um tapão na cara da Mayara de dois anos atrás. Um tapa na cara da Mayara de um ano atrás, que estava se remoendo de raiva porque tinha conseguido uma foto horrível com uma professora que te marcou tanto num dos momentos mais importantes da sua vida. Sabe, ontem você estava se martirizando por conta de uma péssima foto, que na real nem tão péssima ficou: hoje eu olho para a foto e fico tão feliz. E, hoje, você tomou uma atitude. E que atitude.
Independente da resposta dele, saiba que vai ficar tudo bem. Cara, independente da resposta dele, outros caras melhores aparecerão na sua vida, e pode apostar que te farão bem também, senão mais. Ele pode ser uma pessoa incrível, com todas as qualidades dele, mas você sabe o ponto fraco dele. Ou pelo menos o ponto fraco dele para você. E, de novo, o que for para ser, será. E o que não for, não será, e está tudo bem também!
Saiba que só de você ter se desafiado a abrir o jogo com ele já é um baita de um desafio para você, que você conseguiu superar. Eu, se fosse a Mayara de três anos atrás e estivesse olhando para você agora, não acreditaria que eu me tornaria nesse mulherão em quem você está se tornando. Sério, meus olhinhos estariam brilhando de admiração por ela: eu estou completamente surpresa e admirada por essa decisão, por essa atitude.
E acredite, mais desafios como esse virão. Mas pode ter certeza de uma coisa: você está crescendo, e a cada dia que passa eu te admiro mais e mais. Você está no caminho certo, mais do que certo, e eu estou aqui, do seu lado. E olha, não queria estar em nenhum outro lugar senão vendo essa menina crescer tanto e se tornando esse mulherão que hoje eu já consigo ver.
Sabe aquele dia que você estava esperando ver você mesma se tornando toda independente, segura de si, sem medo de tomar iniciativas, consciente de que as únicas coisas que estariam pesando na sua consciência seriam as coisas que você fez, as atitudes que você tomou, as palavras que você disse para uma outra pessoa (e não em um diálogo/monólogo interno), e não mais as coisas que não aconteceram? Pois é, esse dia está chegando, eu estou sentindo. E hoje você está infinitas vezes mais próxima desse dia do que ontem.
Eu só tenho orgulho de você, sabia?
Um texto difícil de ser postado, que eu escrevi num
dia difícil, quando eu ainda estava abalada demais.
Mas sinto que hoje eu já posso publicá-lo.
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10/01/2018
2017: um ano difícil, mas surpreendente
2017 foi um ano engraçado. Foi um ano em que eu esperava muitas coisas: que fosse um ano pesado, exaustivo, frustrante, desafiador. E, bom, realmente foi.
O ano começou com a seguinte mensagem: "Você não passou na faculdade dos sonhos". Depois de um mês, sofrido, de espera, saia os resultados das minhas provas: primeiro o do ENEM, depois o da UNESP. E, nossa, foi uma bomba. Uma bomba poderosa, que conseguiu me atingir de uma forma que eu não sabia que era possível.
Eu lembro que eu estava pessimista, ao final do meu primeiro ano de vestibulanda, do meu desempenho dos vestibulares, contrariando a todos que diziam que eu passaria. E, no entanto, finalmente observar o meu resultado final foi devastador, decepcionante. Mais ainda, sentir aquilo, sentir aquela nota? Sentir como se você tivesse perdido uma batalha que havia sido tão árdua e que você havia dado todas as suas forças? Foi terrível. Foi frustrante. Foi destruidor.
Eu nunca havia me sentido tão incapaz na minha vida.
Ainda, pior ainda foi ver a aprovação das outras pessoas. E o ego me maltratando a todo instante. "Olha só, todos eles passaram e menos você, viu? Olha como você é burra". E o que me veio, primeiramente, foram todos aqueles anos em que havia me dedicado aos estudos, em que eu havia dito para mim mesma que eu havia me esforçado tanto, abdicado uma possível (e idealizada) "vida social" para me empenhar aos estudos, especialmente em 2016, e que não haviam valido para nada. Nada. Haviam sido um desperdício total.
E depois, o questionamento: por que? Por que eu não havia conseguido? Onde eu havia errado?
Todas as pessoas ao meu redor dizendo que haviam passado, todos aqueles comentários nos perfis dos futuros universitários parabenizando-os pela conquista, especialmente os dos meus antigos professores, que antes haviam me dito que eu era capaz. Eu. Por que não eu? Foi o meu principal questionamento: por que não eu?
Pois bem, hoje eu sei a resposta para ela: pois eu não estava preparada. Intelectualmente, mas especialmente psicologicamente, socialmente, internamente.
Foram tantas coisas que eu aprendi em 2017, tantas coisas que mudaram a minha forma de ver o mundo. Aconteceram-me tantas coisas nesse ano, tantas coisas que me acrescentaram tanto: confiança, determinação, força, e que me produziram aprendizados tão importantes! E que eu tenho a absoluta certeza de que, caso eu realmente tivesse passado no vestibular, eu talvez não os teria alcançado (ou teria, mas de uma forma mais tortuosa e sem o mesmo impacto que eles me produziram).
Primeiramente, percebi que ser vestibulanda, acima de tudo, é ter a consciência de que os vestibulares não são justos, e portanto, a última coisa que eles fazem é avaliarem o nosso conhecimento (afinal, são muitos os tipos de conhecimentos que existem no mundo, e não são simplificados somente ao raciocínio lógico e capacidade de decorar conteúdos teóricos e didáticos). Dessa forma, estudar para passar na faculdade, infelizmente, não é resumido a entender toda a matéria do universo, e sim de analisar e perceber a maneira como cada vestibular cobra seu respectivos conteúdos, mesmo que muitos deles sejam totalmente irrelevantes para a sua futura vida acadêmica (ou para a sua futura vida mesmo).
Segundo: aprendi melhor a me relacionar com as pessoas ao meu redor, ou melhor, dei um grande passo para perder a minha fobia social (coisa que eu percebi que eu tenho faz um bom tempo). Foi até engraçado, na verdade, a maneira como eu me aproximei da primeira pessoa no cursinho, ambiente na qual a última coisa que eu esperava era conhecer pessoas tão incríveis! Pois eu lembro que eu fiquei mais ou menos uma semana sem conversar com ninguém, com medo, com receio de me acharem estranha, medonha, sem graça, desinteressante. Uma semana quebrando a cabeça, tentando elaborar um plano mental para poder me aproximar de alguém, assim como eu havia feito no ano anterior. E pois é, novamente eu me peguei tentando controlar coisas incontroláveis: a vida. Aliás, de novo eu fui surpreendida: no momento em que eu menos esperava eu puxei conversa com uma menina que estava sentada na mesa da cantina e que aparentava ser muito simpática, já que eu havia chegado cedo demais ali (assim como o ano inteiro, risos). E bem, hoje eu a considero uma das pessoas mais meigas, mais positivas e boas da minha vida, e que tenho tanto orgulho de ter conhecido!
Isso somando ao fato que, ao pedir informações a uma então colega da minha classe no ponto de ônibus perto do cursinho, acabei por conhecer uma das pessoas que mais me fariam dar risada no ano inteiro: uma pessoa incrível, super do bem, e com quem eu criei uma intimidade tão grande em um intervalo de tempo tão pequeno! E isso foi incrível.
Isso somando ao fato que, ao pedir informações a uma então colega da minha classe no ponto de ônibus perto do cursinho, acabei por conhecer uma das pessoas que mais me fariam dar risada no ano inteiro: uma pessoa incrível, super do bem, e com quem eu criei uma intimidade tão grande em um intervalo de tempo tão pequeno! E isso foi incrível.
Terceiro: comecei a me permitir entender que eu não sou perfeita e, estando especialmente no cursinho, eu não saberia todas as respostas do universo (na realidade, em qualquer lugar, nunca saberei, porque eu sou humana, não uma máquina). Portanto, tirar dúvidas com os professores ou inclusive com as próprias colegas não é a coisa mais humilhante da vida, pelo contrário. No cursinho a maioria dos professores foram tão incríveis que muitas vezes eles se sentiam lisonjeados em me ajudar. E essa bondade, essa empatia, esse acolhimento, num momento onde tudo o que queremos fazer é chorar e chorar e chorar por não conseguirmos saber de tudo, é tão bonito. É tão humano (ironicamente, em um ambiente e em um contexto tão desumano como o de estudar loucamente para fazer uma única prova).
Em 2017 tive várias aprendizados, entre eles os que irei citar agora: nesse ano, eu percebi que existem pessoas tóxicas na minha vida e que eu tenho o total direito de querer tirá-las da minha vida, sem egoísmo, sem arrogância, sem ser a cuzona da história (porque na verdade mesmo as cuzonas mesmo foram elas, convenhamos). Comecei também a amar e a incorporar a minha forma de vestir sem medo de opiniões alheias, criando o meu próprio estilo. Em 2017, assumi descaradamente a minha atração por pessoas, por homens, porque eu também sou humana (inclusive por um professor, e meu deus, como foi difícil assumir isso). Assumi que eu tive crush por mais de três anos em um menino que nunca me notou, pela primeira vez, de uma forma descontraída, e isso foi engraçado e desafiador.
Em 2017, consegui conversar ainda mais com mais pessoas sendo exatamente eu mesma, e essa sensação é indescritível. Em 2017, paquerei e beijei um crush pela primeira vez (e isso é sensacional!). Em 2017, dancei sem ter vergonha se eu estava parecendo um boneco de posto, e percebi, inclusive, o quanto a música mexe com a minha alma (me fazendo entrar em transe sem sequer ter ingerido alguma coisa). Em 2017, mudei completamente a minha forma de pensar sobre várias coisas, e percebi que eu preciso parar de ser uma esponja e necessito aprender as coisas pelas minhas próprias experiências, e não pelas alheias (porque tudo depende do contexto vivenciado, tudo é relativo!).
Em 2017, consegui, pela primeira vez, me abrir para tentar me relacionar com alguém. E bem, nesse ano também tive a minha primeira desilusão amorosa; mas apesar disso, de ele ter me feito muito muito muito mal por ter me feito quebrar a cara e ter perdido um tempo enorme me iludindo, ele me fez bem também. Me fez sentir-me confiante, desejável, acolhida como eu nunca havia me sentido por nenhum cara. Foi a primeira vez que eu consegui conversar com um garoto sem sentir-me paranoica, deixando as coisas rolarem no seu devido tempo (mesmo que, no fim, isso tudo não tenha saído do ambiente virtual).
Em 2017, fui totalmente honesta sobre um dos meus maiores problemas com a minha psicóloga, e que eu não tinha sequer conhecimento (por isso que eu amo tanto essa profissão!). Em 2017, aprendi a dizer "não" e a respeitar o meu corpinho exatamente da forma como ele merece (afinal ele é meu templo sagrado, não?). Em 2017, descobri o meu amor incondicional por gatos, me fazendo perceber, de novo, que gostos e preferências são relativos. Em 2017, reli o meu livro favorito da vida (e é um livro de vestibular, olha só). Em 2017, puxei conversa com dois crushes diferentes no cursinho (e como foi prazeroso conseguir ter feito isso!).
Em 2017, ri tanto e não me preocupei se eu estava sendo ridícula rindo daquela forma, afinal rir é a melhor coisa do mundo (mas depois de abraçar, é claro). Em 2017, descobri que eu tenho uma amiga que é mais que minha amiga: é minha porto seguro, meu ombro quando eu preciso chorar, minha máquina de ouvir xingamentos quando eu quero somente estraçalhar a cabeça de alguém. Em 2017, aprendi a amar o meu corpo, os meus olhos, a minha sobrancelha, o meu nariz, do jeitinho que ele é: maravilhoso. Em 2017, eu percebi, percebi mesmo, que um das minhas maiores neuroses em mim mesma não passava de invenção, i-n-v-e-n-ç-ã-o, porque o meu corpo é perfeitinho do jeito que ele é e, alias, descobri também que alergia é alergia, só alergia, e não doença (infecciosa e nojenta, como meu ego sempre me falou a minha vida toda).
Em 2017, percebi que cada coisa tem o seu devido tempo e, portanto, o fato de eu não ter passado de primeira no vestibular não me faz uma perdedora, pelo contrário: o fato de eu ter me permitido encarar toda essa jornada exaustiva e dolorida de estudos, tanto fisicamente como emocionalmente, me faz uma vencedora ainda maior, porque todo o meu esforço, que só eu sei o quanto ele existiu, vai ser recompensado. E aí sim vou me achar a maior vitoriosa do mundo, sensação que todo mundo merece sentir.
Em 2017, aprendi que todo o meu contexto me fez ser o que eu sou, induzindo na construção das minhas barreiras, dos meus obstáculos, das minhas bolas de neve, das minhas inseguranças, mas também da minha determinação e dos meus valores mais profundos. E, portanto, os meus problemas não foram causadas por minha culpa, nunca foi. E, em 2017, eu também descobri forças em mim que quer desconstruir todos os probleminhas que afetaram a minha vida, social e individual, por tanto tempo: abraçando o meu passado, com todas as lágrimas e sendo a irmã mais velha que eu merecia ter sido para mim naqueles momentos tão obscuros, e corrigindo também posturas que me fizeram tão mal e que não as quero mais.
Demorou para eu conseguir concluir esse texto, por motivos de vestibulares no início do ano e psicológico para conseguir me ordenar internamente, mas acho que estou finalmente conseguindo. 2017 foi um ano pesado, exaustivo, frustrante e desafiador, como eu disse inicialmente; mas foi um ano também tão intenso, tão grande, tão desafiador (no bom sentido), tão cheio de amor, tão cheio de aprendizados e experiências, tão cheio de desconstruções, tão humano, que eu não conseguiria sintetizá-lo em poucas palavras.
2017 foi um ano necessário para a minha vida pessoal, e sem dúvidas seria um ótimo fechamento para esse ciclo que vivenciei por todo esse ano (mas que pareceu, sem dúvidas, ter se passado por muito mais tempo). Mas, como uma das coisas que eu aprendi nesse ano também foi de tentar aceitar as coisas que vêm para a gente, mesmo sendo inicialmente extremamente ruins, para tentar absorver delas as coisas mais boas que podem nos oferecer; caso isso não seja um encerramento, está tudo bem também.
Eu somente sou intensamente grata por todo esse ano, turbulento, mas inesquecível, e espero que 2018 também me traga coisas boas. Que em 2018 eu continue tendo essa visão otimista que eu venho tentando desenvolver, e que eu consiga orgulhar as pessoas que eu mais amo nesse mundão inteiro (mesmo sabendo que eles já tem orgulho de mim, e essa sensação não tem preço).
E que, por fim, em 2018 eu sinta ainda mais orgulho da pessoa que eu estou me tornando.
Em 2017 tive várias aprendizados, entre eles os que irei citar agora: nesse ano, eu percebi que existem pessoas tóxicas na minha vida e que eu tenho o total direito de querer tirá-las da minha vida, sem egoísmo, sem arrogância, sem ser a cuzona da história (porque na verdade mesmo as cuzonas mesmo foram elas, convenhamos). Comecei também a amar e a incorporar a minha forma de vestir sem medo de opiniões alheias, criando o meu próprio estilo. Em 2017, assumi descaradamente a minha atração por pessoas, por homens, porque eu também sou humana (inclusive por um professor, e meu deus, como foi difícil assumir isso). Assumi que eu tive crush por mais de três anos em um menino que nunca me notou, pela primeira vez, de uma forma descontraída, e isso foi engraçado e desafiador.
Em 2017, consegui conversar ainda mais com mais pessoas sendo exatamente eu mesma, e essa sensação é indescritível. Em 2017, paquerei e beijei um crush pela primeira vez (e isso é sensacional!). Em 2017, dancei sem ter vergonha se eu estava parecendo um boneco de posto, e percebi, inclusive, o quanto a música mexe com a minha alma (me fazendo entrar em transe sem sequer ter ingerido alguma coisa). Em 2017, mudei completamente a minha forma de pensar sobre várias coisas, e percebi que eu preciso parar de ser uma esponja e necessito aprender as coisas pelas minhas próprias experiências, e não pelas alheias (porque tudo depende do contexto vivenciado, tudo é relativo!).
Em 2017, consegui, pela primeira vez, me abrir para tentar me relacionar com alguém. E bem, nesse ano também tive a minha primeira desilusão amorosa; mas apesar disso, de ele ter me feito muito muito muito mal por ter me feito quebrar a cara e ter perdido um tempo enorme me iludindo, ele me fez bem também. Me fez sentir-me confiante, desejável, acolhida como eu nunca havia me sentido por nenhum cara. Foi a primeira vez que eu consegui conversar com um garoto sem sentir-me paranoica, deixando as coisas rolarem no seu devido tempo (mesmo que, no fim, isso tudo não tenha saído do ambiente virtual).
Em 2017, fui totalmente honesta sobre um dos meus maiores problemas com a minha psicóloga, e que eu não tinha sequer conhecimento (por isso que eu amo tanto essa profissão!). Em 2017, aprendi a dizer "não" e a respeitar o meu corpinho exatamente da forma como ele merece (afinal ele é meu templo sagrado, não?). Em 2017, descobri o meu amor incondicional por gatos, me fazendo perceber, de novo, que gostos e preferências são relativos. Em 2017, reli o meu livro favorito da vida (e é um livro de vestibular, olha só). Em 2017, puxei conversa com dois crushes diferentes no cursinho (e como foi prazeroso conseguir ter feito isso!).
Em 2017, ri tanto e não me preocupei se eu estava sendo ridícula rindo daquela forma, afinal rir é a melhor coisa do mundo (mas depois de abraçar, é claro). Em 2017, descobri que eu tenho uma amiga que é mais que minha amiga: é minha porto seguro, meu ombro quando eu preciso chorar, minha máquina de ouvir xingamentos quando eu quero somente estraçalhar a cabeça de alguém. Em 2017, aprendi a amar o meu corpo, os meus olhos, a minha sobrancelha, o meu nariz, do jeitinho que ele é: maravilhoso. Em 2017, eu percebi, percebi mesmo, que um das minhas maiores neuroses em mim mesma não passava de invenção, i-n-v-e-n-ç-ã-o, porque o meu corpo é perfeitinho do jeito que ele é e, alias, descobri também que alergia é alergia, só alergia, e não doença (infecciosa e nojenta, como meu ego sempre me falou a minha vida toda).
Em 2017, percebi que cada coisa tem o seu devido tempo e, portanto, o fato de eu não ter passado de primeira no vestibular não me faz uma perdedora, pelo contrário: o fato de eu ter me permitido encarar toda essa jornada exaustiva e dolorida de estudos, tanto fisicamente como emocionalmente, me faz uma vencedora ainda maior, porque todo o meu esforço, que só eu sei o quanto ele existiu, vai ser recompensado. E aí sim vou me achar a maior vitoriosa do mundo, sensação que todo mundo merece sentir.
Em 2017, aprendi que todo o meu contexto me fez ser o que eu sou, induzindo na construção das minhas barreiras, dos meus obstáculos, das minhas bolas de neve, das minhas inseguranças, mas também da minha determinação e dos meus valores mais profundos. E, portanto, os meus problemas não foram causadas por minha culpa, nunca foi. E, em 2017, eu também descobri forças em mim que quer desconstruir todos os probleminhas que afetaram a minha vida, social e individual, por tanto tempo: abraçando o meu passado, com todas as lágrimas e sendo a irmã mais velha que eu merecia ter sido para mim naqueles momentos tão obscuros, e corrigindo também posturas que me fizeram tão mal e que não as quero mais.
Demorou para eu conseguir concluir esse texto, por motivos de vestibulares no início do ano e psicológico para conseguir me ordenar internamente, mas acho que estou finalmente conseguindo. 2017 foi um ano pesado, exaustivo, frustrante e desafiador, como eu disse inicialmente; mas foi um ano também tão intenso, tão grande, tão desafiador (no bom sentido), tão cheio de amor, tão cheio de aprendizados e experiências, tão cheio de desconstruções, tão humano, que eu não conseguiria sintetizá-lo em poucas palavras.
2017 foi um ano necessário para a minha vida pessoal, e sem dúvidas seria um ótimo fechamento para esse ciclo que vivenciei por todo esse ano (mas que pareceu, sem dúvidas, ter se passado por muito mais tempo). Mas, como uma das coisas que eu aprendi nesse ano também foi de tentar aceitar as coisas que vêm para a gente, mesmo sendo inicialmente extremamente ruins, para tentar absorver delas as coisas mais boas que podem nos oferecer; caso isso não seja um encerramento, está tudo bem também.
Eu somente sou intensamente grata por todo esse ano, turbulento, mas inesquecível, e espero que 2018 também me traga coisas boas. Que em 2018 eu continue tendo essa visão otimista que eu venho tentando desenvolver, e que eu consiga orgulhar as pessoas que eu mais amo nesse mundão inteiro (mesmo sabendo que eles já tem orgulho de mim, e essa sensação não tem preço).
E que, por fim, em 2018 eu sinta ainda mais orgulho da pessoa que eu estou me tornando.
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15/12/2017
Frustrando-se
É incrível como as vezes algumas palavras que falo parecem terem sido ditas de boca para fora. É muito fácil abraçar as outras pessoas, as que você ama demais, e dizê-las que está tudo bem, que elas deram o melhor delas e que as vezes a gente acaba se decepcionando com as coisas, porque infelizmente a vida não é somente um mar de flores. Valemos muito mais do que alguma coisa tão... material. Números não te definem, nota não te define, comentários alheios não te definem, você se define, suas atitudes te definem. É isso que eu sempre digo para as pessoas ao meu redor, e com todo o meu coração, porque eu realmente acredito nessas palavras. Acredito imensamente, aliás!
Tenta se conformar que está tudo bem, mas no fundo se sente tão instável... como se qualquer comentário desafiador pudesse te machucar mais do que deveria. Está tudo bem, você deu o seu melhor, resultados ruins também fazem parte! Por que é tão difícil digerir tudo isso?
Abro meu computador e sou bombardeada de tantas novidades... eu estou feliz por elas, elas conseguiram, parabéns! Mas por que eu também me sinto tão... triste? Não quero decepcionar ninguém, já basta ter que lidar com o meu próprio ego, mas isso é difícil quando as pessoas colocam tanta fé em seu futuro! "Você vai passar, eu acredito em você", eu realmente fico muito grata por seu comentário (mesmo!), pois eu compreendo a sua intenção por trás dele e muito obrigada mesmo, de coração! Mas não é isso que eu quero ouvir! Já basta a pressão que eu coloco em mim, não quero decepcionar ninguém...
Uma nota não te define... mas parece definir o curso dos meus pensamentos. Deixa-me confusa, atordoada, sem saber o que fazer. As escolhas são minhas, não são? Eu posso escolher o que eu creio que seja melhor para mim? Escolha com o coração... mas não decepcione todas essas pessoas que botaram tanto fé em você. Isso é um absurdo! Minha vida, minhas escolhas, não é tão simples assim? Pois eu não consigo me afastar da ideia de que as pessoas irão me julgar... Logo ela, que se dedicou tanto? Não conseguiu? Comentários alheios não te definem...
Aspiro, expiro. É incrível como quando eu penso que as coisas vão melhorar, parecem que elas apenas se dificultam mais. Eu tinha que ter escolhido algo tão difícil? Eu sei que sou capaz de me empenhar mais um ano... Mas eu não poderia ter facilitado um pouco o caminho não? Siga o seu coração... Eu estou tentando seguir, mas é difícil. E é muito mais difícil do que aparenta ser, porque só quem já viveu tudo isso sabe exatamente o que é sentir isso. E isso só me deixa ainda mais frustrada!
11.02.2017
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26/11/2017
Um poesia dedicada a você
Hoje eu fiz uma da prova que sempre, inconscientemente, pensei que não fosse para mim. E depois de horas, que mais pareciam eternidades, de espera, eu finalmente pude ver o meu desempenho real nessa prova, a qual tanto me dediquei, e eu chorei. Chorei, como chorei exatamente num mesmo contexto um ano atrás, quando eu contava os meus acertos e via que não havia sido o suficiente. Só que dessa vez eu achei que foi. E eu não acreditei. Chorei na frente dos meus pais, só por ter ido bem, como eu mesma esperava, numa das provas mais difíceis que eu já fiz (e eu odeio chorar na frente de outras pessoas). E esta foi só a primeira etapa, certamente, que me separa de alcançar o meu sonho, mas ir bem nessa prova que me desafiou o ano inteiro me fez sentir bem. Foi como se eu estivesse dizendo para a Mayara de um ano atrás: "Viu, eu sabia que você conseguiria. E conseguiu".
Senti que fosse capaz de novo, de tudo. E eu sou.
Então eu também sou capaz de desabafar algumas palavras que não foram ditas a você. Palavras que você merece ouvir, ou pelo menos, eu mereço dizer a você. Palavras que entalaram a minha garganta por quase 365 dias, e que eu pensei que tinha conseguido engoli-las.
Pois bem, não consegui.
Posso dizer que eu criei expectativas, muitas, aliás. Quando me permiti conversar com você, e entregar a você alguns dos meus pensamentos mais íntimos. E você os aceitou. E isso me encantou. Você me encantou.
Em poucos dias eu já não conseguia conter a minha ansiedade, queria conversar com você a todo momento, deixava-me inclusive ficar horas e horas no rolar da madrugada rindo com as coisas que você falava. Você é engraçado. E isso me contagiava. Queria rir pelas coisas que você dizia a noite inteira. Até que o sono me apagasse, mesmo com meus protestos.
É difícil escrever essas coisas, finalmente, porque eu ainda sinto que tudo isso foi tão recente. Mas ao mesmo tempo parece que já se passou uma eternidade.
Você sabia exatamente o que falar para mim nos meus momentos mais escuros, quando eu mesma duvidava da minha própria capacidade. Eu havia tornado transparente grande parte dos meus maiores monstros, coisa que eu dificilmente faço, pela confiança que você me emanava. E eu adorei isso, realmente.
Você sabe, ou não: eu sou dramática. Gosto de inventar histórias, e talvez eu tenha inventado a nossa, mas no momento errado. No ritmo errado. Antecipadamente. E fui vivendo todo aquele enredo sozinha. Até que eu me decepcionasse com você pela primeira vez.
Veja, a culpa não é estritamente sua, eu criei idealizações demais. Mas você me decepcionou. E, mesmo que parecesse um detalhe minucioso, isso me machucou de uma forma surpreendente. Porque eu havia te idealizado, e aprendi, talvez de uma das piores maneiras, que pessoas não devem ser endeusadas. Eu não sou uma deusa, uma boneca de porcelana, e você não é um príncipe encantado. E nunca será.
Eu havia criado esperanças, meu maior defeito, e isso amplificou o meu desapontamento. E, mesmo que eu já sentisse que estava me recuperando dele, seria falsidade não desabafar que ainda sinto resquícios que de vez em quando me machucam. Tipo agora, momento em que a ansiedade parece controlar o fluxo de meus pensamentos.
Se você estiver lendo isso, quando estiver lendo isso, eu só quero que você saiba a verdade. Não te desejo o mal, pelo contrário, te admiro demais, mas só quero que você perceba, que eu perceba, que não era para acontecer, mais do que aconteceu. Eu me conectei de uma forma extraordinária com você, mas percebi que ainda temos anos luz de diferenças, e infelizmente, ou felizmente, isso nos separa imensamente (ou pelo menos neste momento).
Você é incrível. É carinhoso. É atencioso. É extremamente empático. E todas as palavras que te disse são extremamente verdadeiras, ditas com todo o meu coração e a minha alma. Mas não estamos na mesma órbita. Eu te admiro demais, mas não partilhamos de um mesmo momento, de mesmas ambições, de mesmas emoções.
Coloca uma coisa na cabeça, Mayara: não é para você estar com ele.
Só não era para acontecer mais do que aconteceu. E está tudo bem!
17/01/2017
Crise de sensações
Não saber definir o que se está sentindo é uma das sensações mais frustrantes e ao mesmo tempo mais bizarras. Sim, bizarras. Nessa confusão de sentimentos, eu não saber como descrevê-lo para alguém, ou ao menos para mim mesma, é tão bizarro que chega até a ser engraçado. Engraçado.
É engraçado como, mesmo tendo toda uma forma de pensar na minha cabeça, moldado a partir de vários momentos de reflexões e diálogos - ou monólogos - comigo mesma, eu ainda não sei como agir e reagir quando sou posta em cena. Sem roteiros, sem ninguém cochichando na colcheia e me dando uma forcinha... Não, sem ajuda alguma. Como se o universo, ou qualquer outra força superior, quisesse a todo momento nos testar e ver como nos saímos quando dependemos apenas de nós mesmos. E isso não é ruim.
Veja, isso não é ruim. Assim como Neil Gaiman já afirmou, correr atrás de algo incerto é muito mais gratificante, e incrível, do que correr atrás de um futuro previsível, afinal, em metades das vezes você possui a oportunidade de se surpreender (e a outra metade das vezes serve para fazer você se levantar e se fortalecer para a próxima caminhada). Tudo isso é tão claro na minha mente, até porque uma das coisas que a minha parte racional mais me fala é "não tenha medo de viver o inesperado" e coisas desses tipo. No entanto, parece que toda vez que ela acaba confrontando com o meu lado emocional, eu tenho uma crise.
Crise. Crise de sensações. Será que isso existe mesmo? Eu não sei o que sentir, o que pensar, como agir, como respirar fundo e seguir para a próxima etapa. Respirar fundo, é o que eu preciso fazer. Aspirar, expirar. É essa bendita ansiedade, querendo sempre já pular para a última cena sem o filme ter sequer se iniciado. Eu quero tanto, tanto, mas a minha parte emocional sempre esquece de todo o percurso necessário até que finalmente alcancemos o resultado que tanto almejamos. A minha parte racional sabe disso, crê mesmo que a melhor parte sempre é a caminhada. Mas eu quero logo, agora.
Não consigo respirar. Eu quero ter o controle do que estou sentindo, só isso! Não quero mais sentir isso, podemos voltar a harmonia, ao invés de vivenciar essa arritmia? Fecho os olhos, passo as fotos, hesito, rolo os olhos. Eu gosto de descrever, não de sentir. Eu gosto de inventar, não de viver. E, no final, tudo isso não passa de mentiras.
Por que o "vou deixar, a vida me levar" parece não funcionar comigo? Eu quero ser leve, menos intensa, mas eu não sou. Se eu sinto algo, sinto até a pontinha do meu dedinho. E isso é maravilhoso, mas que nesse momento só me causa irritação. Quero me entregar à leveza da vida, mas não consigo. Preciso questionar o que estou sentindo a cada segundo, e quando eu não sei essa resposta, assim como nesse exato momento, eu piro. Como eu estou pirando agora.
Mas eu sei que, no fundo, eu gosto muito e muito mesmo de viver, de sentir tudo isso, até porque a vida é assim: uma caixinha de surpresas. Eu só preciso soltar de uma vez por todas esse controle remoto e respirar fundo, deixar a brisa bagunçar os meus cabelos. Afinal, as coisas não deixam de estar seguindo um curso, e eu fico feliz de não saber como ele é.
14/01/2017
(VLOG #22) Melhores leituras de 2016 ❤
Oii gente, tudo bem com vocês? Eu espero que sim! Primeiramente, feliz ano novo!! E, como já disse algumas poucas - bem pouquinhas, né non? - vezes, estou prevendo que esse ano vai ser SENSACIONAL, hahaha. Enfim, no vídeo eu finalmente trago a minha listinha das cinco melhores leituras de 2016, como tradição no canal! E eu falo um pouquinho (tipo muito, porque olha como o vídeo ficou longo, SOCORRO) sobre os meus amorzinhos (e tem um ainda que se tornou meu amozão, hahaha). Enfim, bora lá (e espero que gostem)!
Até a próxima postagem!
Muitos beijos, Mayara.
02/01/2017
(2016) Continue a desafiar-se, continue a desafiar-se...
Enquanto 2015 foi um ano repleto de implosões, 2016 foi um ano de explosões. Diferentemente de 2015, que foi um ano em que eu acabei por descobrir várias coisas sobre mim mesma, um período que eu precisei para me abraçar e me tratar devido a maneira como eu antes havia me destruído, 2016 foi um ano em que eu agora precisava deslocar as mudanças que ocorriam dentro de mim para o externo. E, se existe uma palavra que defina completamente o meu ano, essa palavra é "desafios", pois fiz questão de que ela estivesse presente em todos os momentos desse ano, que de longe foi pacífico.
O ano já começou com uma experiência turbulenta: pela primeira vez na minha vida eu ficaria mais de um dia inteiro longe da minha principal zona de conforto, lugar onde eu houvera concentrado toda a minha confiança, como quem concentra açúcar no açucareiro, sem querer que ele se espalhe pela mesa. E acredite, isso foi muito mais difícil do que hoje parece ter sido. Nesse local eu passei por tantos momentos de frustração, de inseguranças e, por fim, de desesperos que eu sem fraquejar poderia considerá-lo como um dos piores momentos da minha vida, porém, ironicamente hoje eu já possui uma outra visão sobre ele. Vendo-o, logicamente, de uma maneira muito mais racional, dádiva oferecida pelo tempo, percebo hoje que tudo o que aconteceu comigo naqueles dias, que me foram tão tenebrosos, foi de extrema importância para me fazer perceber que eu não queria mais ter comigo uma parte de mim que me fizera sofrer tanto, tanto naquele momento quanto nos anos anteriores: a constante dependência. E esse choque de consciência foi uma das melhores coisas que eu já recebi, mostrando já qual seria o rumo deste ano.
Em seguida, invadiu-me novamente toda a insegurança em ter de retornar a aquele ambiente, que nunca houvera conseguido me abraçar (ou pelo, que nunca deixei que me abraçasse). E, mesmo que neste momento eu já não estivesse inteiramente sozinha, como no anterior, a ideia de voltar para lá e ter de encarar aqueles mesmos rosto conhecidos, que antes já houvera traumatizado tanto, ainda me deixou com muito medo. E eu tive que enfrentar esse medo, dessa vez de uma vez por todas - até porque aquele seria o meu último ano neste ambiente, e eu tinha em mente o meu objetivo: fazê-lo inesquecível. E, olha, realmente foi.
Foi um ano difícil, cansativo. Foi um ano em que eu tive que ir quebrando várias barreiras internas que eu havia colocado sobre mim, e aqui entra os desafios. Sentei no fundo da sala de aula, comecei a criar um vínculo que achei estar forte o suficiente com uma pessoa muito especial, comecei a conversar com novas pessoas, mesmo que ainda no fundo eu continuasse totalmente na defensiva. Eu comecei a me sentir mais a vontade naquele lugar. No entanto, no exato momento em que eu pensei "agora sim, está tudo finalmente bem" que as coisas começaram a acontecer, e tudo numa bola de neve, como se fosse para compensar todo o período em que eu havia sido tão inativa.
Por um grande período eu tive muito medo de coisas tão simples, como cumprimentar as pessoas, e é engraçado lembrar-me disso. Tive tantas crises internas devido a isso, que toda vez que eu encontrava uma pessoa conhecida por perto eu começava a ficar desesperada, como se fosse a coisa mais grandiosa do mundo. Mas, afinal, no fundo realmente foi. Outro medo constante foi de ter de ir conversar com os professores - e talvez, talvez mesmo, ainda eu tenha um pouquinho desse medo - só que neste caso eu tive que tomar iniciativas muito rapidamente, até porque os vestibulares no fim do ano não se importariam com o fato de eu ser insegura ou não. E, gente, foi uma das melhores coisas que eu fiz nesse ano. Porque, por causa disso, por causa dessa barreira que eu havia conseguido romper, mesmo que talvez não totalmente (afinal, avancemos sempre de pouquinho a pouquinho), eu comecei a deixar a minha marquinha naquele local, e ser reconhecida por pessoas que você admira demais é sem dúvidas indescritível.
Em 2016, comecei finalmente a conhecer novas pessoas da forma certa: sem querer forçar um parafuso. E três dessas pessoas foram de muita importância nessa minha caminhada. A primeira foi uma das pessoas mais incríveis que eu já conheci, pois ela era tão diferente de mim que muitas vezes eu acabei por sentir-me intimidada ao conversar com ela, e lógico que vários traços de sua personalidade me marcaram demais, os quais me fizeram pensar na pessoa que eu queria começar a me tornar: independente, segura e que não liga para a opinião alheia. A segunda, essa foi a pessoa com quem eu menos esperaria me aproximar, foi a segunda maior responsável por todas os desafios aos quais eu havia proposto encarar neste ano. Afinal, ela era tão determinada e "cara de pau", e fazia coisas tão notáveis, que me fez refletir sobre o que eu estava perdendo por não começar a agir. Foi essa pessoa que me fez participar do último evento que eu esperava me ver, o qual, por mais desconfortante que foi, me acrescentou demais. Foi essa pessoa que me incentivou a correr atrás dos meus estudos de uma maneira que eu nunca havia feito antes. Foi essa pessoa que entregou nas minhas mãos a liderança de um projeto, algo que foi bem desafiador (e talvez até traumatizante, no bom sentido). Foi essa pessoa que me fez disponibilizar para um monte de pessoas (inclusive para uma professora que me intimidava, e intimida ainda, tanto) meus escritos pela primeira vez. Foi essa pessoa que me fez perceber de uma vez por todas que ser estudiosa e dedicada, ser uma "nerd", não é um coisa ruim (aliás, pelo contrário, não é mesmo?). Em suma, essa foi uma das pessoas que mais me incentivaram a correr atrás das mudanças internas que eu precisava abraçar. E a terceira, essa pessoa foi a que me fez compreender que é possível ser admirada por pessoas que eu admiro, e, mesmo me irritando com o fato de sermos muito parecidas em vários aspectos (tive que começar a desconstruir essa frustração "do igual" também), o fato de uma pessoa que eu acho sensacional, a ponto de em vários momentos eu ter sentido muita inveja de seu caráter, dizer que o mundo precisa de mais pessoas como eu para se tornar melhor, sem dúvidas me deixou perplexa. Além de muito emocionada, é claro.
Em 2016, beijei mais caras do que eu poderia imaginar e, aliás, ainda acabei, de maneira totalmente desprevenida, beijando uma pessoa no meio de várias outras que me conheciam, quebrando então uma imagem que eu tanto sustentava, tanto internamente quanto externamente, sem nenhum necessidade: o da garota "certinha" demais. Em 2016, percebi que rótulos como esse só servem para limitar as pessoas, e que, portanto, eu posso fazer o que eu quiser quando eu quiser. Em 2016, senti pela primeira vez a sensação maravilhosa de poder dançar sem se importar se pareço um boneco de posto, deixando meu corpo ser levado pela música. Em 2016, sai pela primeira vez com alguém, e mesmo que no fim não acabamos nos envolvendo, toda essa experiência foi muito gratificante e me acrescentou muita confiança. Em 2016, comecei a andar de ônibus, e tive finalmente, mesmo breve, o gostinho da independência, e isso é sensacional! Em 2016, percebi que minha opinião realmente importa. Em 2016, percebi que eu preciso começar a impor minha presença, e não esperar que as pessoas me puxem. Em 2016, fiquei sabendo, por uma pessoa por qual eu tenho um enorme carinho, que eu tenho um dos melhores abraços do mundo, e portanto passei a começar a distribuí-lo mais. Em 2016, percebi que não se deve eternizar um sofrimento. Em 2016, percebi que tudo que eu passei foi importante para construir quem eu sou hoje. Em 2016, percebi o quão importante é abraçar o passado ao invés de tentar apagá-lo. Em 2016, percebi que eu posso realizar mudanças ao meu redor (agora só me falta um pouco mais de coragem). Em 2016, percebi a importância de um abraço para uma pessoa. Em 2016, votei de maneira consciente. Em 2016, comecei a entender o que acontece no mundo ao nosso redor. Em 2016, percebi que eu tenho que ser quem eu sou, defender o que eu penso e confiar na minha intuição, na minha moral. Em 2016, percebi que as pessoas gostam de mim por quem eu sou de verdade, mesmo que eu muitas vezes eu ainda desconfie se eu sou realmente uma pessoa bacana. Em 2016, me senti uma princesa numa das comemorações mais épicas da minha vida. Em 2016, tomei coragem e demonstrei meu carinho de maneira pública para as pessoas que me acrescentaram tanto nesses anos. Em 2016, passei a me valorizar mais. Em 2016, decidi que eu quero gravar vídeos. Em 2016, tomei a minha primeira iniciativa com um cara. Em 2016, percebi, e percebo cada vez mais, que o meu coração clama pelo curso de Psicologia. Em 2016, senti pela primeira vez ter a idade que eu tenho. Em 2016, percebi o quão terrível e injusto é o mundo, e por um certo período comecei a cogitar que o socialismo poderia ser a salvação dele. Em 2016, descobri que as mulheres tem sim de se empoderar. Em 2016, comecei a finalmente ter em mente que eu posso sim me maquiar e ainda assim me sentir a pessoa mais linda do mundo sem ela. Em 2016, percebi que eu sou uma pessoa muito intensa, e que quando eu amo alguém eu a amo com todas as minhas forças. Em 2016, eu percebi que tenho tanto orgulho por ter a família que eu tenho que eu não a trocaria por nenhuma outra, jamais.
2016 foi um ano repleto de ensinamentos, de correr atrás finalmente do que eu quero e perceber que tudo que eu conquistei foi porque eu realmente me dediquei para isso. Portanto, 2016 foi sem dúvida o melhor ano da minha vida até agora, já que me fez perceber que eu sou o agente da minha vida, e ninguém mais. O tempo passa muito rápido, e seria idiotice minha procrastinar mais e deixá-lo voar de minhas mãos, assim como procrastinei a minha vida inteira. Aliás, 2017 já começou, e eu já comecei a me desafiar desde já: toquei e cantei para alguém que eu não imaginava ter coragem pela primeira vez. E a satisfação por ter feito isso foi incrível! E eu só quero que 2017 seja tão bom, ou ainda melhor, do que esse ano foi, até porque muitas mudanças ainda virão neste ano, e dessa vez envolvendo uma esfera ainda maior e mais externa. Afinal, desafiar-se e se surpreender com isso, como eu já disse muitas vezes, é uma das melhores coisas do universo! E eu quero fazer isso para sempre.
2016 foi um ano repleto de ensinamentos, de correr atrás finalmente do que eu quero e perceber que tudo que eu conquistei foi porque eu realmente me dediquei para isso. Portanto, 2016 foi sem dúvida o melhor ano da minha vida até agora, já que me fez perceber que eu sou o agente da minha vida, e ninguém mais. O tempo passa muito rápido, e seria idiotice minha procrastinar mais e deixá-lo voar de minhas mãos, assim como procrastinei a minha vida inteira. Aliás, 2017 já começou, e eu já comecei a me desafiar desde já: toquei e cantei para alguém que eu não imaginava ter coragem pela primeira vez. E a satisfação por ter feito isso foi incrível! E eu só quero que 2017 seja tão bom, ou ainda melhor, do que esse ano foi, até porque muitas mudanças ainda virão neste ano, e dessa vez envolvendo uma esfera ainda maior e mais externa. Afinal, desafiar-se e se surpreender com isso, como eu já disse muitas vezes, é uma das melhores coisas do universo! E eu quero fazer isso para sempre.
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30/12/2016
(VLOG #21) Todas as minhas leituras de 2016!
Oláaa gente, tudo bem? No último vídeo do ano eu resolvi comentar brevemente sobre todas as minhas leituras desse ano (para não deixar passar batido, né?). Como eu digo no vídeo, eu li muito menos livros do que eu esperava, por uma série de motivos, mas no fim eu fiquei realmente satisfeita com o resultado, afinal, esse ano só tive leituras sensacionais! (Ps: teve alguns livros que eu comentei bem pouquinho, mas é porque vou falar mais deles no próximo vídeo - spoiler - e adivinhem o tema do vídeo?).
Aliás, no finalzinho do vídeo - bem mais extenso do que o esperado, confesso - eu falo um pouquinho o meu encontro com o youtuber e agora escritor Eduardo Cilto, o qual admiro demais! Tudo isso só para terminar o vídeo com chave de ouro, já que esse ano foi incrível! (mesmo tendo ocorrido tantas tragédias, tanto internas como também externas, né?). Enfim, espero que gostem do vídeo, mesmo!!
Até a próxima postagem!
Muitos beijos, Mayara.
14/12/2016
Devaneios perante a um momento conclusivo
Hoje foi um dia bom. É tão bom abraçar as pessoas! Aliás, uma pessoa muito importante para mim já disse que o meu abraço é um dos mais aconchegantes do mundo, e sabe, fiquei realmente muito satisfeita - e feliz! - em saber disso.
Sem dúvidas, uma das coisas que eu mais gosto de fazer é abraçar as pessoas, e o mais contraditório é que eu tenho quase certeza de que poucas pessoas sabem disso. Eu, de certa maneira, possuo MUITA dificuldade de demonstrar meus sentimentos para as pessoas, e o engraçado é que quanto mais eu amo uma pessoa mais difícil se torna isso pra mim.
Eu sei, isso não é legal, afinal de contas a vida é muito curta para ficar guardando para si todo essa miscelânea de sentimentos que deveriam ser distribuídos para esse mundo que necessita de mais amor! Eu sei, eu juro que eu tenho a plena consciência de tudo isso, mas ainda assim é difícil! Esse é um empecilho meu que eu preciso, o mais rápido possível, me desvincular, tenho claramente isso em mente.
Hoje foi um dia muito importante para mim. Foi o momento em que eu percebi que as pessoas sentem a minha presença mais do que eu jamais esperaria, e isso me enche de alegria, eu confesso. Eu, que sempre fui tão calada, principalmente nesse ambiente, que já tanto me paralisou, ainda consegui deixar a minha marca em algumas pessoas, e essa sensação é maravilhosa. Abracei hoje as pessoas que tanto me incentivaram a continuar a estudar, e consequentemente me ajudaram a descobrir o que eu realmente amo: a literatura, as artes e o estudo das humanidades, aliás, assim como de todas as outras ciências, de uma forma crítica. Abracei hoje as pessoas que me inspiraram a descobrir o que eu quero fazer: quero trabalhar com aquilo que eu amo, contagiando as pessoas ao meu redor assim como elas me cativaram.
Hoje eu só conseguia agradecer à essas pessoas, que mesmo que elas provavelmente não saibam, são tão importantes para mim. Prego muito na minha vida a seguinte frase de Nelson Mandela: "a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mover o mundo", e essas pessoas sem dúvidas só me acrescentaram nesse requisito, além me fazer crer no poder dessa arma.
Eu estou feliz, muito feliz. Quando recebi meu diploma e aquele meu professor tão querido me xingou daquela sua maneira tão carinhosa, eu só caminhei rapidamente eu sua direção abraçando-o com todas as minhas forças, não conseguindo parar de sorrir e agradecê-lo. Quando minha professora tão amada disse-me que sentiria muito a minha falta, tive vontade de chorar. Eu até soltei para um dos professores que sem dúvida foi um dos mais preciosos de todo o meu período escolar: "você mudou a minha vida", e num primeiro momento - e até agora, enquanto escrevo - senti um enorme constrangimento, que na verdade não é compreensível já que tal afirmação não deixa de ser verdade.
Talvez um grande problema meu seja o fato de eu querer tanto eternizar os momentos que as vezes - ou na grande maioria das vezes - acabo por frustrar-me por não conseguir uma fotografia maravilhosa, um borrado aqui, uma tremida ali, uma claridade ruim, uma luz vermelha gigante na sua cara, um sorriso forçado demais. Eu sei, eu não deveria me enraivecer tanto por algo que no fundo é tão... bobo. Viver o momento deveria ser mais importante do que querer eternizá-lo, está aí um outro empecilho na minha vida que eu preciso arrumar.
Senti raiva hoje? Senti, por justamente não ter conseguido tirar as fotos ou mesmo poder abraçar todas as pessoas que eu queria - mas, Mayara, relaxa que ainda você tem mais uma oportunidade para isso. E sabe, comecei esse texto com um gigante vazio dentro de mim, desconfortável, querendo desabafar todas as minhas angústias, e o engraçado é que agora, que eu escrevi tudo isso, só me sinto feliz. Hoje o dia foi tão bom.
Uma coisa, meio aleatória - ou não - é que eu percebi que eu sou sim uma pessoa mais introspectiva, mais fechada, e isso não é um problema! (a não ser que essa introspecção comece a atrapalhá-lo, ai se torna um problema). Eu sei que eu sou tímida, e em momentos como os de hoje eu só tive que dar um empurrãozinho em mim mesma, colocando na minha cabeça que, se eu deixar a minha timidez impedir-me de fazer as coisas, eu estou fudida. E olha, fiquei até orgulhosa de mim agora, hahaha.
Comecei esse texto sabendo que não seria hoje que eu o postaria, e agora já até faço questão de me contrariar quanto a isso: vou postar é agora! Eu só tenho de agradecer as pessoas que fazem todos esses momentos serem possíveis (às pessoas que eu mais amo nesse universo inteiro). Tenho só de agradecer por ter tido a oportunidade de estar vivendo tudo isso, de ter amigas que enchem meu peito de alegria, de ter tido professores tão espetaculares, de poder ter ido nesse evento que sem dúvidas marcou o fechamento de um dos primeiros, de muitos, ciclos da minha vida (e de poder ter tido meu momento High School Musical, hahaha). Eu estou tão feliz hoje, o dia foi tão bom! E não, eu não preciso de fotos maravilhosas para ter a certeza de que hoje foi um dia bom, mas se eu as tiver, melhor ainda! Não é mesmo?
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19/11/2016
Fome de mudanças
Eu nunca pensei que eu, Mayara, iria querer tantas mudanças, mas cá estou eu. Não consigo mais me sentir bem no lugar onde estou. Quero sair, conhecer novos lugares, novas pessoas, novos hobbies, novas paixões, novas amizades, novas histórias.
Eu não suporto mais estar nesse mesmo lugar, cercado pelas mesmas pessoas. Sabe quando você cansa da sua pele, e simplesmente quer ela se descame? Sabe quando você enjoa da imagem que você desenvolveu sobre si e não aguenta mais ser vista dessa maneira pelos outros? Pois é, eu cansei.
É bizarro pensar que vivi tantos momentos nesse mesmo ambiente. Onze numa mesma escola, onze anos numa mesma cidade. Eu já não suporto mais essa mesma mesmice.
Não me leve a mal, mas eu não aguento mais ter de encarar todo dias os mesmo rostos tão familiares, sabe? E por mais que eu talvez tenha muito medo do desconhecido, hoje, nesse exato momento, já não aguento mais o conhecido. Aliás, percebe-se as contradições existentes no meu querer, já que estou num momento com tantas oscilações emocionais.
Eu quero sair da minha cidade, sair da minha escola, entrar na faculdade que eu tanto almejo e ter a chance de criar uma nova imagem minha, sabe? Não que eu não seja eu mesma aqui onde estou, coisa que me orgulho muito hoje, mas não aguento mais ser a mesma Mayara que todos parecem conhecer, mesmo que no fundo isso talvez não seja totalmente verdade já que tenho a mais pura certeza de que são poucas as pessoas que realmente sabem quem é a Mayara, além da máscara da introspecção: oscilante, criativa, preocupada demais com coisas aparentemente banais, radiante, falante, perfeccionista e sonhadora.
Quando lembro-me de que criei esse blog justamente para tentar descobrir quem eu era, um sorriso se forma nos meus lábios, pois hoje eu tenho essa resposta. Mas eu quero mudanças. Quero desafios. Quero que existam pessoas que confrontem toda a minha forma de pensar, que me faça sentir-me uma bosta, mas que depois eu as confronte e perceba que é tão legal estar fora da zona de conforto!
Esse ano foi repleto de pequenos desafios, prosseguidos de grandes conquistas que hoje me fazem perceber que eu cresci tanto! E que, se eu não as tivesse vencido, eu não estaria preparada, quero dizer, nem sei se estou totalmente preparada para encarar o mundão. Mas eu não suporto mais essa minha realidade.
Amo minha família, amo meus amigos, amo minha cachorrinha, amo minha vida perfeita. Mas sabe, eu quero mais. Muito mais. Muito muito mais. Eu quero mudanças. Talvez eu até tenha coragem e divulgue o meu canal do Youtube na minha página do Facebook. Ou talvez eu pinte meu cabelo de azul.
É bizarro pensar que vivi tantos momentos nesse mesmo ambiente. Onze numa mesma escola, onze anos numa mesma cidade. Eu já não suporto mais essa mesma mesmice.
Não me leve a mal, mas eu não aguento mais ter de encarar todo dias os mesmo rostos tão familiares, sabe? E por mais que eu talvez tenha muito medo do desconhecido, hoje, nesse exato momento, já não aguento mais o conhecido. Aliás, percebe-se as contradições existentes no meu querer, já que estou num momento com tantas oscilações emocionais.
Eu quero sair da minha cidade, sair da minha escola, entrar na faculdade que eu tanto almejo e ter a chance de criar uma nova imagem minha, sabe? Não que eu não seja eu mesma aqui onde estou, coisa que me orgulho muito hoje, mas não aguento mais ser a mesma Mayara que todos parecem conhecer, mesmo que no fundo isso talvez não seja totalmente verdade já que tenho a mais pura certeza de que são poucas as pessoas que realmente sabem quem é a Mayara, além da máscara da introspecção: oscilante, criativa, preocupada demais com coisas aparentemente banais, radiante, falante, perfeccionista e sonhadora.
Quando lembro-me de que criei esse blog justamente para tentar descobrir quem eu era, um sorriso se forma nos meus lábios, pois hoje eu tenho essa resposta. Mas eu quero mudanças. Quero desafios. Quero que existam pessoas que confrontem toda a minha forma de pensar, que me faça sentir-me uma bosta, mas que depois eu as confronte e perceba que é tão legal estar fora da zona de conforto!
Esse ano foi repleto de pequenos desafios, prosseguidos de grandes conquistas que hoje me fazem perceber que eu cresci tanto! E que, se eu não as tivesse vencido, eu não estaria preparada, quero dizer, nem sei se estou totalmente preparada para encarar o mundão. Mas eu não suporto mais essa minha realidade.
Amo minha família, amo meus amigos, amo minha cachorrinha, amo minha vida perfeita. Mas sabe, eu quero mais. Muito mais. Muito muito mais. Eu quero mudanças. Talvez eu até tenha coragem e divulgue o meu canal do Youtube na minha página do Facebook. Ou talvez eu pinte meu cabelo de azul.
26/10/2016
(VLOG #20) Vamos nos arriscar?
Oiii gente, tudo bem com vocês? Hoje eu vim compartilhar aqui no blog mais um vídeo que eu postei no meu canal, onde eu trato sobre um tema que talvez devesse ser compartilhado com todo mundo: sobre aquele "medinho" de tomar atitudes.
Esse é um daqueles vídeos que eu realmente me senti feliz por ter feito, especialmente devido a um acontecimento muito especial que aconteceu mais ou menos antes de eu tê-lo gravado (porque precisamos compartilhar nossos momentinhos de vitórias, não é mesmo? Hahahah). É um vídeo onde eu falo um pouquinho sobre uma coisa que um dia já me fez tão mal, mas que hoje já me sinto mais a vontade e com a necessidade de compartilhar com vocês! Enfim, espero que gostem do vídeo, todo cheio de amor, porque tudo que eu falei nele eu disse com todo o meu coração <3.
Até a próxima postagem!
Muitos beijos, Mayara.
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04/10/2016
Idade para ser feliz
Existe somente uma idade para a gente ser feliz,somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realiza-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.
Uma só idade para a gente se encontrar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer. Fases douradas em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor.
Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO, e quantas vezes for preciso. Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE e tem a duração do instante que passa.
A Idade de Ser Feliz, Mário Quintana
28/09/2016
Grandes navegações: num mar de incertezas
É difícil explicar, aliás, nem sei muito bem o que eu quero dizer. No entanto, as coisas sempre começam assim, não é mesmo? Em um momento você está querendo uma coisa, aí de repente essa coisa acontece e pronto, você não a quer mais! Posso voltar para a minha zona de conforto?
Fecho os olhos, abro os olhos. Por que eu sempre tenho que complicar as coisas? Por que não posso simplesmente deixar os momentos fluírem, como um balão que se solta e voa para o infinito? Sempre tem que ter alguém segurando esse fio que o segura, que o prende ao racional. Eu preciso pensar, preciso raciocinar, preciso elaborar, preciso esquematizar, não posso improvisar. Isso é frustrante!
Já passei da fase onde eu não conseguia não seguir um roteiro pré-estabelecido, mas minha mente parece que permanece nessa tentativa, de querer me fazer voltar atrás.
Não consigo agir por mim mesma. Poxa, por que as coisas tinham que acontecerem dessa maneira? Já basta ter que tentar cuidar dos meus pensamentos, mas agora também quero manipular as de uma outra pessoa. Por que resolvi dar a iniciativa? Porque fui sair da minha zona de conforto?
Não me contento com um, quero todos. É engraçado isso. É o meu ego, quero conquistar, tentar e tentar. Sou gananciosa, para que? E o pior, o mais irônico, é que antes eu nem pensava em tentar, já desistia antes. Porém, agora que as coisas finalmente acontecem, me desce toda essa coragem, e quero mais. Por que nunca estou satisfeita?
Odeio me prender a alguma coisa. Afinal, passei tanto tempo presa que não suporto mais essa ideia. Libertei-me, e agora só quero voar, e voar, como o balão que voa, cada vez mais alto. Quero voar mas não consigo, libertei-me mas ainda me sinto presa. Existe alguma lógica nisso tudo?
Coisas que eu tanto queria antes, talvez agora eu nem queira mais. Sinto-me um ser em meio a sucessivas metamorfoses, que não suporta mais a inércia, quer o movimento. Que não se contenta mais com o conforto, quer o desafio. Que não aguenta mais a rotina, aliás, a agoniza. Sinto-me como um mar de incertezas, e, por mais que isso me perturbe um pouco, eu gosto disso.
Odeio não saber o que estou sentindo. Odeio me sentir presa a algo. Odeio pensar que talvez eu esteja adiando algo que deve ser feito. Odeio pensar que talvez eu esteja me iludindo. Odeio saber que posso estar iludindo alguém. Odeio não me contentar com o que tenho. Odeio não conseguir manipular meus sentimentos. Odeio estar tão instável.
Mas, no final de tudo, a vida é assim. Num momento tão instável, onde o futuro agora já é tão incerto, seria impossível estar estável.
Sinto-me uma pedra fumegante, e uma certeza eu tenho: eu não quero que essa chama se apague.
Nunca.
Não, apesar de toda essa miscelânea de sensações e perturbações, eu definitivamente não quero voltar para a minha zona de conforto. Não posso, não irei. Nunca mais.
15/08/2016
(VLOG #19) Últimas séries assitidas
E aí, gente, tudo bem? No vídeo de hoje eu vim falar um pouco sobre as últimas séries que eu assisti, sendo elas The Magicians, que, aliás, eu já postei uma breve análise dela aqui no blog (está na aba de "resenhas"), e Game of Thrones, duas séries maravilhosas <3. Enfim, espero que gostem do vídeo!!
Até a próxima postagem!
Muitos beijos, Mayara.
12/08/2016
Sobre séries: The Magicians
Oii gente, tudo bem com vocês? Faz um tempinho já que eu não falo sobre séries aqui, não? Bom, hoje eu resolvi trazer aqui a minha opinião sobre essa série que eu assisti, se não me engano, na primeira semana de julho, e olha, gente! Faz pouco tempo que eu a conheço, mas já considero pakas! Enfim, vou falar um pouquinho sobre a série The Magicians!
The Magicians é uma série que foi criada e produzida por Sera Gamble e John McNamara, sendo ela inicialmente um projeto do canal FOX, porém, posteriormente ela foi comprada pelo canal norte-americano Syfy. O seu episódio piloto foi exibido em janeiro de 2016, tendo atualmente uma única temporada com 13 episódios, cada um com aproximadamente 50 minutos de duração.
Baseado na saga best-seller de livros do Lev Grossman, a série vai nos mostrar a história de Quentin Coldwater, um personagem todo tímido e introspectivo que, aliás, a pouco tempo havia sido internado por possuir certos problemas psicológicos. Quentin tem uma vida bem monótona, até que um dia é pré-selecionado numa faculdade de Nova Iorque, que, no entanto, acaba por surpreendê-lo: na verdade, a faculdade é bem diferente do que ele esperava: é uma universidade especializada em magia, coisa que ele sempre fora fascinado. Porém, lá ele vai descobrir que magia não é tão simples como ele imaginara.
Eu conheci essa série por indicação de uma amiga, e confesso que enrolei um pouco para dar uma chance para ela. Aliás, mesmo depois que finalmente peguei-a para ver, eu não esperava muita coisa dela, queria mais uma série para distrair, sabe? Uma série meio alegrinha, e que no começo talvez até tenha sido, mas enfim.
Confesso que não havia me surpreendido tanto de primeira, quero dizer, achei o primeiro episódio bem o.k., com personagens não tão marcantes, mas com um cenário muito bacana, que, aliás, adorei de primeira: o ambiente de Blakebills, a escola de magia. Eu não cheguei a não gostar da série, porque ela havia me satisfeito sim, já que eu estava assistindo-a só por assistir mesmo, portanto, resolvi continuar a vê-la, esperando que conforme os episódios eu mudasse de opinião.
Porém, foi só no quinto episódio que eu realmente percebi que estava gostando dessa série. Pois esse episódio me surpreendeu tanto, me fez tanto de trouxa (e no final ainda bem que fez, porque minha nossa, ele foi tão agonizante!).
A partir desse episódio os outros se tornaram tão bons quanto este, aliás, mesmo com a trama já tendo sido apresentada antes, foi só então que eu comecei mesmo a gostar do rumo da história, que começava enfim a me prender! Tem também uma ruptura com o clima alegre dos primeiros episódios, mergulhando em algumas cenas realmente meio macabras, meio perturbadoras, e já dá para perceber que a série vai ficando mais séria.
Nesse momento eu já estava amando demais alguns personagens, sendo eles a Margo e o Eliot (os da imagem acima), que desde o começo já gostava bastante, e do Penny também, que é super engraçado (e confesso que no começo não gostava dele). E, aliás, mais uma outra personagem que eu vou falar mais detalhadamente mais para frente.
Quando finalmente tem-se uma grande revelação, que eu não vou contar aqui, eu me surpreendi tanto que já fui aumentando totalmente as minhas expectativas para o final da série, querendo cada vez mais saber para onde ela iria ir, e lógico, sem ter ideia do que aconteceria em seguida!
Na fase final da temporada, os episódios só melhoraram, e sempre terminavam daquela maneira que deixa uma incógnita na sua cabeça, e que então me fazia querer assistir mais e mais e mais (risos). O que chegou num momento em que eu já não conseguia mais largar a série de tanto que eu já havia me prendido a ela!
E os episódios foram ficando tão bons! Teve revelações que me deixaram de boca aberta, teve momentos emocionantes, outros muito frustrantes, enfim, senti tantas coisas com essa série, aliás, dando um foco mais aos últimos episódios, que, minha nossa! E o desfecho da temporada foi sensacional, só sei dizer isso! (Os últimos episódios dessa temporada eu assisti tudo de uma vez, para vocês terem ideia do quanto ela me prendeu!).
Antes de falar sobre o que achei dessa série em geral, quero comentar um pouco sobre uma personagem em específico, que sem dúvidas foi a que mais se destacou para mim, que é a Julia (a da imagem). E, primeiramente, já vou dizendo que eu fiquei a-pai-xo-na-da pelos visuais dela, fala sério! (vontade de roubar, hahaha).
Enfim, vamos dizer assim, a minha relação com essa personagem mudou tanto conforme a série, ela me fez sentir tantas coisas, que no final acabou por se tornar a melhor da série, pelo menos para mim.
No início me frustrei com ela, e percebi que essa frustração era compartilhada por muitas outras pessoas também, que, aliás, chegavam até mesmo a odiar ela! E até metade da série eu meio que entendia o porquê, mesmo nunca tendo odiado ela - até porque eu tinha mais dó do que raiva dela - além de que eu achava que as atitudes dela eram meio que "justificáveis", já que eu mesma me imagino fazendo as mesmas coisas, pelo menos grande parte delas.
Mas enfim, depois de certo tempo fui começando a até gostar dela, a entender ela, mas foi só depois do último episódio que eu percebi o quão forte ela era, porque cara, ela sofre muito! Sabe a Raven de The 100? Pois a Julia é tipo ela em The Magicians, porque, gente!
Enfim, não falarei muito sobre ela, para não dar spoilers, mas tenho que dizer que ela é uma das personagens mais fortes que eu já conheci, e eu já admiro demais ela (e estou esperando mais cenas dela na próxima temporada!). Aliás, a amizade dela com o Q, o protagonista, eu também acho tão bonita! Tem umas coisas que acontecem entre eles, mas enfim, acho linda!
Enfim, essa série superou todas as minhas expectativas! Uma série super bem desenvolvida, com personagens amáveis e que tiveram um desenvolvimento muito legal na série - especialmente a Julia - com um rumo surpreendente, com um enredo super criativo e todo bem entrelaçado, não deixando nenhuma ponta aberta, quero dizer, tirando o final, que é bem aberto (para deixar qualquer um enfurecido, socorro!).
Eu só quero a próxima temporada, que estreia em 2017 (tipo, que tortura! Com aquele final? Não pode, cara! Por que fui assistir essa série esse ano e não ano que vem?).
Eu recomendo demais essa série para todo mundo! E quem sabe eu até um dia dê uma chance para os livros? Porque, realmente, esse universo me prendeu demais! E é engraçado perceber que no começo achava ela fraquinha, e agora só sinto envergonhada de ter pensado em largar ela! Ai ai!
Trailer da série:

Enfim, é isso! Espero que vocês tenham gostado da postagem! Caso já tenham assistido ela, ou esteja assistindo-a, comente aqui para conversarmos!! (Porque, gente, é difícil se segurar quando você não conhece ninguém que assiste uma série, </3). Aliás, logo logo sai um vídeo em que eu falo das últimas séries que eu assisti (e vou falar de The Magicians também, hahaha).
Até a próxima postagem!
Muitos beijos, Mayara.
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