15/12/2018

Um desafio para mim mesma


        Eu acho engraçado como a gente consegue mudar tanto em um ano. Em meio ano. Faz muito tempo que eu não sento e paro para escrever um texto, sendo que isto era algo tão recorrente na minha vida, algo que eu valorizava tanto. Algo do qual eu realmente tinha orgulho.
Ok. Tem um ponto. Eu geralmente escrevo quando eu sinto que eu estou tão angustiada que eu não consigo lidar com os meus pensamentos sozinha, e eu então escrevo, buscando compartilhar o que eu sinto com alguém, mesmo que seja com a Mayara do futuro (que lerá esse escrito umas dez vezes depois de tê-lo terminado de escrever). E o que aconteceu foi que existiram poucos momentos nesse semestre, especificamente, que eu me senti angustiada dessa mesma maneira, coisa que era muito recorrente anteriormente. Aconteceram coisas comigo, coisas na minha vida, que me preencheram de uma sensação de conforto e satisfação que eu nunca havia sentido, pelo menos não por tanto tempo, na minha vida inteira. E isso é ótimo! Realmente, isso é maravilhoso!
Mas tem um outro ponto, que eu só percebi hoje, nesse momento, depois de ter assistido esse vídeo incrível do João Bertoni. Foi somente depois de eu ter ouvido as palavras dele, exatamente após eu ter sentindo uma sequência de sensações que eu não deveria estar sentindo (inveja – tristeza – vazio – culpa), que eu tive uma percepção sobre mim: eu me afastei muito de mim mesma nesses últimos tempos.
Parar o que eu estava fazendo, sentar e escrever era um dos maiores momentos em que eu estava comigo mesma, buscando me aproximar de mim mesma. E eu parei de fazer isso, gradativamente, até que eu parasse totalmente e nem sequer percebesse. Essa valorização dos momentos eu-e-eu era, sem dúvidas, uma das minhas maiores conquistas do ano passado, e em pouco menos de um semestre eu me afastei tanto de mim...
Não digo que tenha sido totalmente culpa minha, na verdade eu tenha a consciência de que não foi. O contexto em que eu vivi esse ano acabaram por ter uma grande influência nessa mudança: o fato de eu dividir quarto, estar compartilhando uma casa com mais três meninas, o acúmulo de trabalhos em grupo cobrados pela faculdade, estar vivendo meu primeiro relacionamento amoroso. E eu enfatizo, nada disso é ruim, pelo contrário, foram e estão sendo experiências tão maravilhosas! Mas eu não posso negar que de fato eu me afastei muito de mim mesma nesse semestre, e eu quero resgatar essa relação comigo mesma que eu sentia que antes eu estava construindo.
Eu lembro que uma das minhas metas de 2018 era justamente relacionada a esse tipo de valorização de mim mesma: ir ao cinema sozinha. E hoje eu percebo que eu tive várias oportunidades para poder cumpri-la, mas que sempre optei pela companhia dos outros a ir sozinha. Pois bem, retomo essa meta então para 2019. Ir ao cinema sozinha, sem pressa, querendo aproveitar todo aquele momento sozinha, buscando não me sentir solitária, com vergonha de estar sozinha, e tentar sentir-me feliz, completa, em paz, com a minha presença. Somente com a minha presença.
Pois bem, cá está o desafio: buscar a reconexão comigo mesma. 
Challenge accepted?

27/05/2018

Conclusão



   É isto. 
   É bizarro pensar em tudo o que eu fiz, e que eu finalmente eu fiz tudo. Tudo.
   É estranho, sei lá, e por mais que doa, eu fiz tudo.
   Por mais que as coisas não tenham saído como o planejado, eu estou satisfeita
   (por mais que nesse exato momento eu não sinta isso).

   É, sim, eu queria uma resposta. Nem que fosse um fora, uma negativa, ou alguma pequena consideração por eu ter aberto o meu coração.
   Mas, é, infelizmente ela não veio. E possivelmente não virá.
   Agora basta eu lidar com essa "resposta" e seguir em frente. Seguir em frente.
   Por que isso parece tão difícil? Por que eu demoro tanto para me desencanar das pessoas?
   Eu me apego a momentos, a situações, a sentimentos, a confusões. Se machuca tanto, por que eu não consigo simplesmente me desapegar dessas coisas?
   Por que eu sinto que eu não quero me desapegar dessas coisas?

   Eu sei que uma hora vai passar, sabe? Porque as coisas sempre passam.
   Mas eu só queria que isso acontece agora, nesse instante. Nesse exato momento.
   Sou ansiosa, quero pular processos, quero estar sempre bem
   (e eu sei que isso não é possível, não é saudável).

   Hoje eu escutei uma coisa que me fez total sentido:
   "Uma pessoa pode ser legal, mas ela pode não ser legal para você."

   A culpa não é sua, sabe?
   Definitivamente, a culpa não é sua.
   As vezes as coisas não acontecem como a gente quer que aconteçam.
   E está tudo bem também.
   Está tudo bem!

   A culpa não é dela, a culpa não é sua. 
   A culpa não é de ninguém!
   Só não aconteceu porque não era para acontecer.
   E é isto. Somente isto.
   Exclusivamente isto.

   É isso.

06/05/2018

Quando você se apega a uma memória


   Eu senti uma coisa dentro de mim que eu pensei que eu demoraria para sentir: uma pontada de satisfação. Satisfação? De estar vivendo tudo isso. Eu já olhei para aquela foto em que nós dois aparecíamos juntos mais de cem vezes e só agora é que eu sinto que consegui enxergá-la diferente: algo mudou dentro de mim. Eu olho para aquela foto e finalmente consigo sentir uma fraçãozinha de paz, substituindo a angustia e a vontade de rir sarcasticamente por toda aquela situação vivenciada, que subiam sobre a minha garganta todas as outras vezes que eu havia a olhado. 
   Ela é uma pessoa muito bonita, muito atraente, e o momento foi engraçado, eu estava nervosa, não conseguia parar de sorrir, não conseguia manter meus olhos sobre ele por estar extremante envergonhada, desviava-o muitas vezes para as outras pessoas, para o chão, para o céu. Eu estava totalmente constrangida por estar vivendo toda aquela situação porque eu nunca havia imaginado que aquilo realmente pudesse acontecer. Aquilo estava acontecendo mesmo de verdade? Porque parecia tanto com o sonho que eu havia tanto tido por tanto tempo (não só com ele, mas com outras pessoas que haviam "aparecido" na minha vida). E a risada dele era tão maravilhosa, carregava uma paz tão gostosa. E a satisfação que inflava a minha alma quando eu percebia que ele ria com as coisas que eu falava era imensurável. Ele realmente queria me beijar, saca isso? Eu não tinha sacado até o momento h.
   E foi muito bizarro. Senti algo que eu nunca havia sentido antes: eu queria aproveitar aquele momento com todas as forças. Eu estava muito atraída por aquele cara, e tanto que eu não consegui conter a minha alegria e o abracei. Foi um dos momentos mais gostosos que eu já passei, e só de lembrá-lo eu sinto um frio na barriga. Eu estava muito atraída por aquela pessoa.
   E eu criei expectativas, mesmo não querendo. Eu não consegui me controlar, e eu sinceramente acho que não seria possível controlar esses pensamentos que me invadiram logo que tudo passou. Eu estava no ônibus e revivi aquele momento no mínimo umas cinco vezes seguidas, e eu não conseguia tirar o sorriso do meu rosto. Tudo ainda parecia um sonho. E eu havia sido a protagonista de tudo aquilo.
   Confesso que as expectativas, pouco a pouco, foram me consumindo, até que eu não conseguisse mais não pensar nele. E a ansiedade se instaurou dentro de mim. Eu não conseguia parar de falar dele, não conseguia parar de pensar nele, não conseguia conter a minha vontade de me esbarrar com ele e poder cumprimentá-lo, poder conversar mais com ele, conhecer ele. Mas ai está o problema, a sementinha de toda a enrascada na qual eu estava me enfiando, sozinha: eu estava tentando estender aquele momento vivido tão intensamente por mim para outros, buscando justamente poder sentir novamente toda aquela energia que eu havia sentido antes.
   E eu corri atrás dele, como nunca corri atrás de ninguém: cumprimentei ele quando talvez ele fosse passar reto por mim, tentei usar as redes sociais para mostrar que eu realmente tinha interesse em conhecer mais ele, em conversar com ele, mas ele não fez nada. E, por fim, me arrisquei ainda mais e abri o meu coração para uma das pessoas que julgo ser uma das mais próximas dele, e eu fiquei ansiosa pela resposta dele. E hoje, contudo, eu vejo que ele já tinha me dado a resposta que eu tanto precisava. 
   Só agora eu estou realmente sentindo essa resposta, que julguei por muito tempo não existir porque eu não queria mesmo acreditar nela: ele não tinha interesse em estender aquele momento vivido por nós dois. E, se for pensar, a intensidade daquilo provavelmente foi diferente para nós dois. Eu coloquei expectativas demais, e eu não me sinto culpada por isso.
   Eu não sou culpada por isso: é totalmente normal fazer isso. Ele é uma pessoa com uma energia tão boa, eu estranharia se eu não me atraísse por ele. E eu entendo, agora, o porquê de eu ter querido tanto que todas essas expectativas se concretizassem: tudo parecia tão possível. 
   Hoje eu olho para essa foto e vejo que eu exagerei, e ai que está: isso não é um problema. Certo, isso realmente me causou um problema, mas eu justificaria isso pelo seguinte fato: eu nunca havia vivido tudo isso, então possivelmente eu não saberia como encarar essa situação, e isso é sempre o que mais incomoda: quando eu me vejo impotente diante da realidade. Eu exagerei sim, mas porque eu vivi aquilo de uma forma tão intensa que eu queria estender aquele momento. Eu sinto demais, e isso nunca vai ser um problema, ou pelo menos nunca deve ser. 
   O sorriso dele é tão lindo. Ele é uma pessoa tão linda, por fora e provavelmente por dentro também. E eu espero mesmo poder conhecer ele mais um pouquinho, porque ele parece realmente ser uma pessoa com uma energia tão boa. Mas eu não preciso disso, de me sentir como uma perdedora. De me sentir inferior a ele: eu não sou. Ele não tem culpa, e muito menos eu tenho culpa. 
   Hoje você possivelmente só tem olhos para ele, mas ele não é a única pessoa que você vai achar atraente nesse mundo, mulher, então pare de te se sentir tão machucada com o "não" dele. E ele claramente não é a única pessoa que vai querer te beijar. E com certeza você passará por outros momentos como esse, então se acalme. Deixa de querer ser radical, você consegue lidar com toda essa situação: você está conseguindo lidar. Talvez você não acredite em mim, mas você está conseguindo lidar com tudo isso! Dê mais créditos a você e pare de se sentir como uma pessoa azarada, porque você não é. 
   E da próxima vez que eu olhar para ele, espero que eu consiga não me sentir mais tão mal. Eu espero que eu consiga olhar para ele e vê-lo como uma pessoa normal, como ele realmente é. Nem mais, nem menos: normal. E eu não preciso tentar me fazer esquecer daquele momento: jamais. Eu só preciso entender, compreender com o meu coração, que aquilo aconteceu sim, mas ficou somente ali: limitado dentro de uma caixinha que eu quero manter sempre na minha memória, porque foi um momento tão bom! 
   E ao olhar essa foto, e ver como ele sorri e me lembrar de tudo o que aconteceu, eu sinto que estou finalmente conseguindo enxergar tudo isso com um outro olhar. Afinal, ainda bem que eu vivi tudo isso, todas essas emoções! Ainda bem...

29/04/2018

Ambições sufocantes e imediatismo


   Desligo o meu celular. Olho a tela do meu notebook e me deparo com o seguinte questionamento: o que eu quero que a faculdade me traga? Pois bem, eu quero ser uma pessoa mais confiante. Eu quero conseguir falar bem em público, quero poder fazer seminários, ou mesmo explicar meu posicionamento para a classe, sem me sentir impotente. Quero ser confiante o suficiente para que eu não me sinta mais tão pequena diante das pessoas: sem graça, feia, boba, infantil, chata. Quero me apaixonar por alguém, mas também quero sentir reciprocidade nisso. Aliás, quero me apaixonar por mim também, e ser menos crítica diante dos meus pensamentos e comportamentos. Quero fazer amizades que eu sinta que são para a vida, e quero me sentir acolhida por um grupo de pessoas como eu nunca me senti na minha vida. Quero poder ir em festas sem me importar muito com quem eu vou, só por saber que eu sou completamente segura a ponto de conseguir me divertir comigo mesma, sem precisar de beber para poder diminuir esse imperativo, esse senso de autopreservação, que tanto me tensiona. Quero me sentir pertencente a um ambiente. Quero ser capaz de acolher as outras pessoas, quero aprender a me acolher. Quero olhar no espelho e me orgulhar de tudo o que eu sou, inclusive com os meus defeitinhos. Quero sentir menos rancor das pessoas e aprender a perdoá-las, mas primeiro quero aprender a me perdoar. Quero ser reconhecida pelas minhas habilidades. Quero saber explicar conteúdos, situações e acontecimentos, assim como meus posicionamentos pessoais, para as pessoas. Quero ser uma ativista feminista, quero me engajar mais na política, quero fazer a diferença. Quero me importar menos com o fato de as vezes ser ignorada, de algumas vezes as pessoas não me cumprimentarem, porque eu saberei que não foi de propósito: ou se for, quero ser confiante o suficiente para saber que a culpa não é minha. Quero saber respeitar as minhas limitações, e saber com o coração que eu posso pedir ajuda quando eu precisar, e não só quando eu estiver prestes a explodir. Quero estar em um relacionamento sério, poder sentir gestos apaixonados. Quero não me sentir tão burra quando eu não entendo uma matéria, nem tão ingrata quando reclamo de algumas coisas que me aborrecem no momento. Quero saber entender que a toxidade das pessoas não é culpa minha, e que eu não sou obrigada a aturar pessoas que me fazem me sentir menor. Quero poder me sentir mais confortável no meio social. Quero estar feliz onde eu estou. E eu quero tudo isso imediatamente, o que é um erro.
   As coisas não vão ser entregues de mão beijada para você, menina, e você precisa entender isso. Você precisa correr atrás, assim como você está correndo exatamente nesse momento, totalmente jogada nesse novo mundão completamente aversivo a sua zona de conforto. Mas você precisa entender também que coisas assim demandam experiência: demandam tempo. Então, calma!
   Calma, respira fundo, tenta aproveitar mais toda essa caminhada, por mais dolorosa que ela possa ser. Calma, não saia se atropelando toda assim, porque no fim você vai conseguir tudo isso que você deseja, sério mesmo. Mas você precisa de calma. Respira fundo, feche os olhos, cumpra com as suas responsabilidades e fique satisfeita com o seu desempenho presente. Porque você precisa ser mais humilde consigo mesma, moça.
   Assim como demoramos para aprender a andar com nossos próprios pezinhos no mundo, nosso crescimento interno também é demorado. Extenso e lento. Então calma, não se estresse. Vai dar tudo certo.
   Aproveite a caminhada. Olhe para o seu redor e repare nas pequenas coisas que, na pressa, você esquece de reparar. Olhe para as pessoas e queira estar com aquelas pessoas, leia textos querendo lê-los (por mais que alguns, cof cof Cofer, sejam difíceis de engolir). Esteja presente nos momentos, absorva o máximo deles e esteja satisfeita com o seu desempenho neles. Permita-se aproveitar mais esses momentos, mulher, e não fique presa no futuro. Porque, assim como já explícito, essas coisas vão acontecer, então calma. Para que pular etapas? Pense no depois, mas pense especialmente no agora. Assim você aproveita mais toda essa oportunidade sensacional que você está podendo vivenciar.
   Até porque se já viéssemos ao mundo com todas as nossas ambições pessoais concretizadas, para que então estaríamos vivendo? Qual seria a graça de estarmos aqui sem possuirmos a capacidade de mudar, de crescer?
   Pois é. Então respira. Agradeça pelos momentos, por mais difíceis que eles sejam, só por saber que eles vão ser essenciais para o seu crescimento pessoal. E aproveite essa caminhada que, acredite em mim, pode ser maravilhosa. Vai ser maravilhosa.

Início de abril, pós churras da psico